segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Brasil, vanguarda urbanística do mundo

Impecável artigo da sempre ótima Revista Piauí.

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porfólio imaginário

O progresso avança pelo asfalto

O modelo brasileiro de pavimentação fluvial é adotado nos quatro cantos do planeta

Foi-se o tempo em que a imagem do Brasil no exterior era associada a futebol, favelas, lambança, tiroteios e turismo sexual. O país progrediu, distribuiu renda, deixou o estágio degradante de produtor de matéria-prima e hoje é uma referência no combate à dengue e aos desdentados, exportando design, tecnologia, sandálias e pré-sal sem perder a malemolência.

Na gestão das cidades, a proeminência brasileira salta aos olhos. Uma solução urbana bem-sucedida em São Paulo e Belo Horizonte, por exemplo, vem sendo replicada nos quatro cantos do planeta: a cobertura dos rios urbanos com pistas de tráfego, um ovo de Colombo asfáltico que só poderia ter sido achado por conterrâneos de Santos Dumont. Superando preconceitos, a proposta inova ao conciliar a melhoria do trânsito com a requalificação da paisagem urbana, ao mesmo tempo em que faz a alegria de empreiteiros.

Mesmo na Europa, onde o peso nefasto da tradição costuma atravancar o avanço civilizatório, perceberam-se as vantagens da pavimentação fluvial. Paris, Londres, Roma, Veneza e Amsterdã renderam-se ao modelo brasileiro e hoje estão mais limpas e fluidas. As metrópoles de referência evitaram dispendiosos tratamentos dos rios e ampliaram a infraestrutura viária para atender ao aumento constante da frota de veículos - cerca de 900 carros são emplacados por dia em Londres e 600 em Paris. Vale lembrar que políticas de redução de impostos sobre automóveis, em boa hora implantadas com consultoria da equipe econômica do governo Lula, salvaram a grande indústria e garantiram a normalidade das vendas em diversos países europeus.

Adaptar as cidades à realidade hodierna não custa barato. Em Paris, a revitalização de pouco mais de 3 quilômetros do rio Sena custou 350 milhões de euros e levou dois anos para ser executada. Mas abriu dezoito novas pistas de tráfego, o que trará uma melhoria de 35% na velocidade do trânsito. O prefeito Dertrand Belanoe comemorou o sucesso do projeto já pensando no futuro: "A obra trouxe melhorias evidentes, mas não podemos nos acomodar. Temos uma perspectiva continuada de adaptação da infraestrutura urbana para as demandas contemporâneas." O prefeito estuda agora transformar as Tulherias num camelódromo.

Os eternos insatisfeitos de Paris, cidade de protestos e revoluções sanguinolentas, não aceitaram passivamente o avanço. Brandindo o surrado argumento passadista da "importância natural, simbólica e de lazer" do Sena, um grupo de manifestantes desenhou peixes sobre as novas pistas. Em texto divulgado na internet, os neoluditas atacaram: "Falta imaginação aos governantes, que poderiam investir em transporte público, sistemas de bicicletas e veículos compartilhados. O rio limpo se tornaria um atrativo turístico, com barcos, locais para caminhadas e piqueniques."

Para além dos idealismos bucólicos, vê-se que os grandes centros urbanos possuem dinâmicas complexas que demandam soluções arrojadas como as que aqui se apresentam. As novas cidades oferecem ao cidadão conforto, higiene, segurança e privacidade - tudo dentro de seu carro novo. O leitor verá em cada imagem das próximas páginas resíduos da modernidade contemporânea brasileira, e, sentindo o cheiro de asfalto, desenvolvimento, ordem, progresso e gás carbônico, dificilmente conterá o orgulho e a vibração cívica.

URL: http://www.revistapiaui.com.br/edicao_39/artigo_1201/O_progresso_avanca_pelo_asfalto.aspx

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quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Uma no cravo...

... e outra na ferradura!

Comer, rezar, amar   Beber, jogar, f@#er

... e outra na rosa!

A dieta de South Beach   A dieta do Son of a Bitch

... e outra na canela!

The Purpose Driven Life   The Reason Driven Life

... e outra no piano de cauda!

Quem mexeu no meu queijo?   EU mexi no seu queijo

Li apenas um desses livros. Valeu pelos ótimos insultos no rodapé das páginas.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Política e meio ambiente, ontem e hoje (e amanhã?)

O quanto Severn teria que mudar seu discurso se fosse fazê-lo hoje durante a COP 15 em Copenhaguen?

Via Metacafe

Brasil, ontem e hoje (e amanhã?)

Três análises dolorosamente precisas do Brasil atual:
 
Um aspecto a salientar é que todo governo no Brasil ainda é intensamente "personalista". [...] O tamanho do poder em mãos de um presidente brasileiro é relativamente maior do que o poder do presidente dos Estados Unidos, visto que, desde os tempos de Getúlio Vargas, o Congresso nunca conseguiu se contrapor a ele... Embora o presidente dependa do Congresso para a aprovação de leis, a influência do Poder Legislativo na condução da política está viciada pela natureza primitiva da organização dos partidos políticos. Os partidos, apesar das implicações ideológicas de suas denominações, são essencialmente clubes políticos, criados para prover máquinas eleitorais a seus membros; estes, por sua vez, são homens que optaram pela atraente, lucrativa e "suja" carreira política; são frequentemente desprovidos de qualquer compromisso social ou ideológico, ou do sentido de servir à nação. Como consequência, a lealdade partidária é subordinada ao interesse próprio.

A segunda:

O estado [da capital do País] tem mais funcionários públicos do que Nova York; a Petrobras, só em São Paulo, emprega um número maior de químicos do que a Shell no mundo inteiro; pode-se comprar qualquer coisa - de uma carteira de habilitação a um juiz do Supremo Tribunal Federal; o reitor da Universidade Federal do Rio de Janeiro ganha [um salário miserável], enquanto os aluguéis são três vezes mais altos do que em Londres e os hotéis da cidade estão entre os mais caros do mundo (e entre os de pior atendimento); o país tem apenas 18 mil milhas de estradas asfaltadas e [no ano passado] os brasileiros mataram 10 mil pessoas nas estradas - mais do que o total de soldados americanos mortos no Vietnã [...]. Como já escreveu Peter Fleming, "o Brasil é um subcontinente com um autocontrole imperfeito".

E a conclusão fatal:

"Materialmente o país avançou a galope; politicamente marchou para trás. A política de terra arrasada dos coronéis interrompeu o desenvolvimento espiritual de um país potencialmente brilhante."

Eu disse Brasil atual? Quis dizer o Brazil da década de 1960. Na verdade eu quis dizer "Brasil atual" mesmo mas, para os autores dos trechos acima, tratava-se ainda do Brasil dos anos 1960.

Mais no ótimo artigo da Revista Piauí sobre as "cartas de despedida" (valedictory despatches) dos embaixadores britânicos.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Realpolitik

Dois excelentes artigos em inglês publicados traduzidos na Revista Piauí deste mês.

O primeiro lança olhar sobre a incursão americana no Afeganistão, e a dura decisão, tomada ontem por Obama, do aumento do número de tropas no país, a pedido do general McCrystal. Mostra que fácil a conclusão pela retirada das tropas apenas se excluirmos da equação os próprios afegãos.

O segundo faz uma crítica geral e muito bem articulada ao (igênuo) modo Obama de governar e de tomar decisões complexas. Esse trecho é ótimo, e também vejo muito de mim nele:

His way of thinking is close to the spirit of that Enlightenment reasonableness which supposes a right course of action can never be described so as to be understood and not assented to.

Abaixo, os originais:

Stanley McChrystal's Long War
Dexter Filkins
The New York Times Magazine · Vol. 31 No. 20 · 14 October 2009
http://www.nytimes.com/2009/10/18/magazine/18Afghanistan-t.html?pagewanted=all

Obama's Delusion
David Bromwich
London Review of Books · Vol. 31 No. 20 · 22 October 2009 · pages 7-10
http://www.lrb.co.uk/v31/n20/david-bromwich/obamas-delusion

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

The History of "Just Say No"

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Next on Obama's agenda should be just "breathing". Let the stupid die of autoasphyxiation.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

A cidade que cada um merece

Decoração de fim de ano da Unter den Linden, região central de Berlin:

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Rua dos Gusmões (Cracolândia), no centro de São Paulo, cuja planta de valores valorizou 70% este ano, tornando-a mais cara que Moema, Brooklin, Campo Belo e Jardins:

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terça-feira, 17 de novembro de 2009

Erundina, 21 anos

Um ano antes da queda do muro de Berlim, São Paulo vivia um marco histórico em sua política.

A falta de dinheiro e de apoio político lhe custou muito de sua governabilidade.

Ainda assim, sua gestão trouxe avanços que hoje, mesmo com muito mais dinheiro em caixa e uma Câmara dócil, com vereadores recebendo "mesada" da Prefeitura (não entro em detalhes para não ser censurado ou sofrer ameaças), não se consegue (leia-se: deseja) mais repetir.

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São Paulo, terça-feira, 17 de novembro de 2009


Erundina, 21 anos

FERNANDO DE BARROS E SILVA

SÃO PAULO - Faz 21 anos que Luiza Erundina foi eleita prefeita de São Paulo. Sua vitória, em 15 de novembro de 1988, muito inusitada, foi um marco histórico: "Mulher, nordestina, petista", ela resume a própria biografia tentando refletir sobre o que significava na época.
A disputa se dava ainda -pela última vez- em turno único. Erundina obteve quase 30% dos votos, ultrapassando na reta final o favorito Paulo Maluf, que se elegeria em 92. Jânio Quadros não compareceu à transmissão do próprio cargo.
Maria Luiza Fontenelle já havia sido eleita em Fortaleza em 1985 (e em 88 romperia com o PT). Mas São Paulo era a maior cidade da América Latina, o berço de ouro do malufismo. Erundina recorda que assumiu a prefeitura tendo de enfrentar "muita desconfiança e má vontade por parte de empresários", convertidas em "boicote" em vários casos. Mas foi alvo também da hostilidade do próprio PT, que lhe cobrava pontos do programa. "Havia muitas demandas represadas e era difícil convencer o partido de que a gestão municipal não iria dar conta delas".
Ainda assim, a ex-prefeita hoje avalia que seu legado foi a redefinição das prioridades orçamentárias, deixando de lado grandes obras viárias para enraizar a ação da prefeitura no social e na periferia: ônibus-bibliotecas, creches, mutirões -o "erundinês" é a língua da organização comunitária e do esquentamento dos movimentos sociais.
Aquela, diz Erundina, "era uma época dura, de inflação e desemprego, mas também politizada, de muita mobilização, diferente de hoje".
Erundina não poupa Lula pelo atual engessamento da política: "Ele não tem contribuído para fortalecer os movimentos sociais. Pelo contrário, tirou o seu protagonismo e cooptou o movimento sindical".
No país de Lula, diante de um governo que tem o PT a seus pés e os empresários gargalhando, soa quase como gafe espanar o pó de uma gestão sempre escanteada pelo partido. Inclusive em termos de conduta moral, o que vingou no PT não foi o bom exemplo de Erundina.

URL: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz1711200903.htm

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Contrabando: a outra fronteira

São 16 mil km de fronteira seca do Brasil com seus vizinhos latino-americanos. Muito menores são as fronteiras das regiões metropolitanas do Rio de Janeiro e de São Paulo, onde praticamente todas as armas de grosso calibre e parte considerável das drogas ilícitas vão parar.

Em quais fronteiras vale mais a pena concentrarmos nossos esforços, pessoal e recursos?

Luiz Eduardo Soares já havia oferecido essa sugestão --de sufocar o tráfico de drogas e armas nas fronteiras municipais-- em 2006 ao (então futuro) governador fluminense, em seu livro "Segurança tem saída".

R$ 9,90 (mais frete) e um fim de semana de leitura concentrada, governador!

Oxalá os próximos governadores do Rio e de São Paulo o leiam.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Aborto

"The most recent data available, for 2003, show that a woman is as likely to have an abortion in regions where it is broadly legal as in regions where it is highly restricted."

Achei o gráfico abaixo bastante compelling (convincente + impressionante).

Dá base para começar a se discutir isso mais seriamente aqui no Brasil. A proposição é que a barra verde tome o lugar da rosa e, em segundo lugar, que ela progressivamente diminua no tempo (sem que a rosa aumente). Como defende Hillary Clinton: "abortion should be safe, legal and rare".

Infelizmente, é um "third rail" latino-americano (e africano), e não será uma bandeira a ser assumida por nenhum político disputando cargo eletivo...

PS: Não é curioso como é o mesmo tipo de solução sensata que para outras questões polêmicas, como drogas (redução de dano, não proibição), armas de fogo (controle, não proibição) e prostituição (regulação e proteção, não proibição)?

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Abortion

A woman's right

Oct 14th 2009  |  From Economist.com

Restrictive abortion laws do not prevent abortion

AROUND 40% of women live in countries where abortion is severely restricted by law, a figure that has changed little in a decade. Such laws do not prevent abortion, but they do mean that the procedures are more often unsafe (for example carried out by an unskilled practitioner in unhygienic conditions), according to a report by the Guttmacher Institute, a research group. Some of the highest abortion rates are in Latin America, where abortion is all but outlawed. Nearly all abortions in Africa are unsafe, despite the liberalisation of laws in South Africa in 1997. The most recent data available, for 2003, show that a woman is as likely to have an abortion in regions where it is broadly legal as in regions where it is highly restricted. Globally the abortion rate has fallen since 1995 mainly through a reduction in safe abortions. Unintended pregnancies have also fallen, from 69 per 1,000 women in 1995 to 55 per 1,000 in 2008, as contraception use has increased.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

As motos e as cidades

Ótima coluna do Benjamin Steinbruch na Folha de hoje sobre o problema das motocicletas nas metrópoles brasileiras. Trecho:

Estive na China há três meses e surpreendi-me com a inexistência de motos no trânsito caótico de Pequim.

Elas são proibidas na capital chinesa e em várias outras metrópoles do país, como Xangai e Guangzhou. Só bicicletas e bicicletas elétricas podem circular nessas cidades, e jamais no meio dos veículos. Usam faixas exclusivas existentes em praticamente todos os grandes centros urbanos.

Em alguns, a proibição já dura oito anos, e isso não atrapalha a indústria, que se concentra em bicicletas e motonetas elétricas.

Segundo os chineses, a proibição de motocicletas nos grandes centros -elas podem circular no interior- se deu por três razões: segurança, porque elas se envolvem em muitos acidentes com vítimas; por uma questão ambiental, porque poluem muito mais do que os carros; e para melhorar o trânsito dos veículos. No Brasil, haveria uma quarta razão, a redução da criminalidade no trânsito, já que muitos assaltos são feitos por duplas de motociclistas.

Os chineses consideram falsa a ideia de que as motos facilitam o trânsito e a locomoção das pessoas. Ao circular entre os veículos, dizem, elas provocam mais problemas do que soluções, porque dão origem a muitos acidentes e incidentes que param ou retardam o tráfego. O ideal seria segregá-las às faixas exclusivas, mas sua velocidade seria incompatível com a das bicicletas. A solução chinesa, então, foi proibir as motos e restringir o uso das faixas para bicicletas e ciclomotores elétricos, que andam a baixa velocidade, mas representam um meio de transporte importante.

No Brasil, caminhamos na direção oposta. O governo federal aprovou em julho o serviço de mototáxi no país. A lei permite que cada prefeito possa decidir sobre a liberação do serviço em sua cidade.

As motos e as cidades
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/dinheiro/fi1310200906.htm

Apesar de ele ter exaltado a "coragem" da Prefeitura de São Paulo no começo do artigo ("Cidade Limpa" ainda é paradigma de política pública para alguns, infelizmente), tudo o que falta por aqui, no que diz respeito a política de mobilidade urbana, é coragem.

domingo, 4 de outubro de 2009

Vídeo do dia

"Classe Média", de Max Gonzaga

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Catfight!

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"Certamente há homens que imaginam que vamos subir no ringue e começar a nos arranhar e morder", diverte-se a loiríssima norueguesa Ingrid Egner, vice-campeã mundial de boxe amador que, quando não está treinando ou competindo, conclui seu doutorado em biologia molecular na Universidade de Oslo.

Damas, ao ringue!
Cai a última trincheira masculina do olimpismo: É a hora das mulheres se enfrentarem no boxe.
DORRIT HARAZIM  |  Revista Piauí  |  Edição nº 36
http://www.revistapiaui.com.br/edicao_36/artigo_1122/Damas_ao_ringue.aspx

No mês passado o COI aprovou, ainda que em votação secreta, a inclusão do boxe feminino entre os esportes olímpicos. Era o único esporte olímpico com participação feminina ainda vedada.

No artigo, informações importantes para aqueles que se preocupam com a saúde das mulheres acima da dos demais esportistas ("A modalidade tem o mesmo índice de lesões na cabeça do que a patinação no gelo"; "No último campeonato mundial feminino, realizado na China no ano passado, nenhuma das 250 boxeadoras de 52 países sofreu qualquer lesão" etc.). No Brasil, por exemplo, toda boxeadora tem que fornecer atestado negativo de gravidez antes de cada competição.

Mas o avanço da igualdade entre os gêneros no esporte, na minha opinião, ainda é tímida. A barreira ainda a ser removida, na minha opinião, é o da separação dos atletas por sexo. "Mas a estrutura física dos dois sexos é diferente!", podem argumentar. E daí? Diz-se que os negros têm (em média) muito mais força muscular que os orientais. É motivo, portanto, para se separar boxeadores por cor da pele? Não, cada país deveria selecionar os melhores entre os melhores, independente de cor, sexo ou idade.

Algumas modalidades ainda apresentam diferenças estatisticamente significantes entre os recordistas do sexo masculino e do feminino. Mas essa diferença vem diminuindo e, suponho, diminuiria ainda mais com as competições integradas pelos dois gêneros. Mas por que não sequer considerar a integração incremental, modalidade por modalidade? Não vejo argumento que sustente, por exemplo, a manutenção da separação por gênero no tiro ou no arco e flecha.

Confesso: eu não gostaria de ser o primeiro boxeador a deferir o primeiro soco numa boxeadora. Mas esse mesmo soco deverá nocautear, na verdade, um paradigma que as gerações futuras quiçá enxerguem como tão absurdo como hoje encaramos a escravidão, business as usual de séculos atrás.

Karpov vs. Kasparov

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Começa hoje à noite, em Valencia, Espanha, a "nêga" daquela histórica partida de xadrez de 25 anos atrás:

Kasparov and Karpov in chess duel
One of the greatest rivalries in the history of chess is due to resume as Garry Kasparov takes on Anatoly Karpov in the Spanish city of Valencia.
http://news.bbc.co.uk/2/hi/europe/8266220.stm

Quem quiser pode assistir à partida aqui. Eu aposto no russo.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

How to Care for Introverts

  • Respect their need for privacy
  • Never embarrass them in public
  • Let them observe first in new situations
  • Give them time to think. Don't demand instant answers
  • Don't interrupt them
  • Give them advanced notice of expected changes in their lives
  • Give them 15-minute warnings to finish whatever they are doing before calling them to dinner or moving on to the next activity
  • Reprimand them privately
  • Teach them new skills privately rather than in public
  • Enable them to find one best friend who has similar interests and abilities; encourage this relationship even if the friend moves
  • Do not push them to make lots of friends
  • Respect their introversion. Don't try to remake them into extroverts
A lista é impressionantemente precisa. Parece um "Fabio Storino: Instruções de uso".

Não se sabe bem quem compilou essa lista. Parece vir de "Understanding Our Gifted, November, 1988". Está circulando pela Internet como imagem (obrigado, Vox, por redigitá-la).

domingo, 13 de setembro de 2009

Norman Borlaug, RIP

“More than any other single person of this age, he has helped provide bread for a hungry world,” the Nobel committee said in presenting him with the Peace Prize. “We have made this choice in the hope that providing bread will also give the world peace.”

The day the award was announced, Dr. Borlaug, vigorous and slender at 56, was working in a wheat field outside Mexico City when his wife, Margaret, drove up to tell him the news. “Someone’s pulling your leg,” he replied, according to one of his biographers, Leon Hesser. Assured that it was true, he kept on working, saying he would celebrate later.

Nossa, como eu poderia sequer ter ouvido falar dele antes?

So long, Norman, and thanks for all the wheat.

Vídeo: Norman Borlaug no Penn & Teller: Bullshit!

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Nova Marginal: velha concepção urbanística

Quatro visões consonantes sobre o rio Tietê, e dissonantes do projeto bilionário da Nova Marginal:

Arquiteto José Fábio Calazans: propõe a construção de um parque linear de 90 km ao lado do rio, de Mogi das Cruzes a Itapevi, com lagos para abrigar a água de dias excepcionais, como anteontem.

Arquiteto Vasco de Mello: "É um erro histórico. As pistas vão ficar congestionadas em seis meses. Estão jogando dinheiro no ralo."

Arquiteto Fernando Mello Franco: "A cidade precisa rever a sua relação com o rio. Pensar a partir do trânsito é uma forma antiga de pensar a cidade. Você isola o rio, isola os problemas, em vez de articulá-los. A Nova Marginal pegou a contramão da história." Segundo Mello Franco, o Tietê deveria ser um eixo metropolitano e para isso a cidade tem de chegar até o rio, como acontece com Londres, Paris, Viena e Lisboa. Para esse plano funcionar, segundo ele, é fundamental reduzir o fluxo de carros nas marginais.

Engenheiro Cerqueira César Neto: "Falta um plano global para o Tietê. Cada município faz o que quer. Essa obra [a Nova Marginal] é uma gambiarra."

Que bom que não sou só eu que acho esse um imenso erro, em vários sentidos. Mais aqui:

Para urbanistas, Nova Marginal amplia erro
via Folha de S.Paulo (só para assinantes) ou Agência Webtranspo (aberto)

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Slingshot Rhapsody

Crédito: Michael Edwards

[…] he's not just the man who invented the Segway and the stair-climbing wheelchair called the iBOT and the first portable dialysis machine and a new water filter called the Slingshot that could literally change the world, if he could only get the damn world to cooperate. He's also Lord Dumpling, leader of the Empire of North Dumpling.

Interessante artigo da Esquire sobre o inventor americano Dean Kamen e sua luta para melhorar o mundo por meio da tecnologia.

Revolução Sexual Iraniana

Num país com os índices demográficos do Irã, tudo muda muito rápido. Naquela sua última visita de 2007, ela vinha da festa com uma amiga, no carro. As duas tinham o proibido álcool no hálito, então o farol do carro atrás piscou e veio o terror: eram dois homens da Polícia Moral. Elas pararam, os dois jovens saltaram e se encaminharam. Não queriam levá-las para a prisão. Queriam seus telefones. Era uma cantada. Os velhos deixam a função e os jovens que a assumem vivem a mesma cultura do underground de Teerã.

Mais sobre como os jovens iranianos prometem mudar radicalmente o país neste belo artigo de Pedro Doria para a Revista Trip.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Treating, not punishing

The number of addicts registered in drug-substitution programmes has risen from 6,000 in 1999 to over 24,000 in 2008, reflecting a big rise in treatment (but not in drug use). Between 2001 and 2007 the number of Portuguese who say they have taken heroin at least once in their lives increased from just 1% to 1.1%. For most other drugs, the figures have fallen: Portugal has one of Europe's lowest lifetime usage rates for cannabis. And most notably, heroin and other drug abuse has decreased among vulnerable younger age-groups [...]. "The apocalypse hasn't happened."

Vai na mesma linha daquele artigo anterior da Time Magazine, também com posição bastante favorável aos resultados da experiência lusitana com a descriminalização das drogas.

Portugal's drug policy
Treating, not punishing
The evidence from Portugal since 2001 is that decriminalisation of drug use and possession has benefits and no harmful side-effects
Aug 27th 2009  |  LISBON  |  From The Economist print edition
http://www.economist.com/world/europe/displaystory.cfm?story_id=14309861

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Prisões brasileiras

Muito pertinente o editorial "A pena de morte em vigor" do Estadão de hoje.

Foi Nelson Mandela que afirmou, em sua autobiografia, que "ninguém conhece verdadeiramente uma nação até que tenha estado dentro de suas prisões. Uma nação não deve ser julgada pelo modo como trata seus cidadãos mais elevados, mas sim pelo modo como trata seus cidadãos mais baixos." A idéia de que os presidiários devam sofrer uma dupla punição, qual seja, a da pena imputada pela Justiça somada a condições carcerárias degradantes, pode até atender aos apelos populares, mas só nos faz distanciar ainda mais de nosso projeto de nação.

No fundo, o mais incompreensível para mim é a contradição entre a crença implícita na possibilidade de ressocialização do sujeito, dado que todas as penas no Brasil prevêem eventualmente a liberdade, e o modo como tratamos a população carcerária durante a duração das penas, de forma que absolutamente ninguém sai de uma prisão brasileira melhor do que entrou (sequer igual).

A outra hipótese é de que se conte com um possível "efeito dissuasório": quanto pior as condições das prisões, menos o criminoso desejaria para lá retornar. Há dois sérios limitadores a esse raciocínio: o primeiro é o de supor que alguém esteja eventualmente disposto a perder sua liberdade (o "cálculo matemático" é muito mais sobre o risco de ser capturado e condenado que sobre a dureza da pena). O segundo é a mera observação empírica sobre os índices de reincidência: os egressos das piores penitenciárias têm, na verdade, maiores chances de cometer um novo crime e, o que é pior, de que o novo crime cometido seja de natureza ainda mais grave.

Video of the day: Moments

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

KISS

"Perfection is achieved not when there is nothing more to add, but when there is nothing left to take away." (Antoine de Saint Exupéry)

Tech.view
When less is more
An end, please, to the gadget features race
Aug 14th 2009  |  From Economist.com
http://www.economist.com/daily/columns/techview/displaystory.cfm?story_id=14248430

sábado, 8 de agosto de 2009

Trabalho

Fantástica palestra do também fantástico Mike Rowe, criador e apresentador do —advinhem: fantástico— show “Dirty Jobs”, exibido aqui pelo Discovery Channel.

Outro bárbaro vídeo dele é este aqui (mesmo argumento central, menos testículos, mais intimista).

Essas idéias nunca popularam tanto meus pensamentos…

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Sagrada laicidade

O Brasil é um país de maioria católica. Mas não é um país católico: é um país laico.

Algumas pessoas confundem laicidade ou secularismo com ateísmo. Não tem nada a ver. Eu acredito que não existam deuses. O Estado não tem crença.

A Constituição, aliás, garante em seu artigo 5º ser inviolável a liberdade de consciência e de crença e, no artigo 19, separa os negócios do Estado (em todos os níveis de governo) dos das religiões (o que os americanos chamam de "separação Igreja--Estado").

Por isso recebi com felicidade, por meio do artigo "Sagrada laicidade" na Folha de hoje, a notícia de que o Ministério Público Federal pediu à Justiça que sejam retirados símbolos alusivos a uma religião das dependências de prédios públicos federais.

Falta agora a retirada daquela mensagem religiosa em todas as cédulas de dinheiro do País. Entre as funções do Estado, proselitismo religioso (por mais sutil ou culturalmente aceito) não é uma delas. No mínimo, é desperdício de tinta.

Carpe diem

American Time Use Survey FTW! Será que a gente mede isso por aqui, também?!

How Different Groups Spend Their Day
The American Time Use Survey asks thousands of American residents to recall every minute of a day. Here is how people over age 15 spent their time in 2008. Related article
Published: July 31, 2009
http://www.nytimes.com/interactive/2009/07/31/business/20080801-metrics-graphic.html

Made me think

http://makesmethink.com/top

Site do dia: Translation Party

http://translationparty.com/tp/

Traduz de/para inglês/japonês até que seja encontrado o "equilíbrio" (ex.: "I don't like Japan.")

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Lei de Parkinson

Em época de discussões sobre o tamanho ideal do funcionalismo do Estado brasileiro, o artigo abaixo oferece algumas provocações interessantes sobre o tema:

From the archive
Parkinson's Law
Nov 19th 1955  |  From The Economist print edition
http://www.economist.com/businessfinance/management/displayStory.cfm?story_id=14116121

É a reedição de um artigo publicado originalmente há mais de 50 anos.

Começa um pouco mecanicista e carregado de estereótipos sobre o setor público (talvez ainda não fosse estereótipo na época). Depois fica divertido. Mas, logo depois... assustadoramente familiar.

O maior insight, ao meu ver, não é a idéia da "lei da multiplicação do funcionalismo", mas a idéia da capacidade de auto-geração --involuntária-- de carga de trabalho. Deste modo, novos funcionários (e mesmo os pré-existentes) podem ficar longe de ociosos, mas isso pouco diz sobre um aumento real da capacidade de realização do Estado.

Ancient Peru: much beyond Machu Picchu

Caral and Cajamarca just made my "1,000 places to visit before I die" list:
 
Then, as the 21st century dawned, Caral took centre-stage. In 2000, carbon dating of a bag woven from plant fibres proved that the 163-acre site had been built between 3000 and 2100BC, making it the oldest civilisation on the continent of the Americas and contemporaneous with the pyramids of Giza in Egypt. At a stroke, Caral was rocketed into the archaeological superleague.

[...]

But on this overcast morning Caral's celebrity status was hardly in evidence. As we waited by the empty ticket desk, Alejandra, a tour guide based in Lima, told me I was the first visitor she had brought to Caral in 2008, and it was already June. "Everything about Peru is Inca, Inca," she said. "Everyone goes to Machu Picchu. They don't stay long enough to come up here."

More here:

Peru: A history lost in the ruins
Done Machu Picchu? There's more to Peru's ancient past, Nigel Richardson discovers in Caral and Cajamarca.
By Nigel Richardson  |  Published: 12:26PM BST 24 Jun 2009
http://www.telegraph.co.uk/travel/artsandculture/5622933/Peru-A-history-lost-in-the-ruins.html

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Como mentir com estatísticas

Ainda sobre o assunto, acabei de ler um ótimo post da Soninha sobre o "custo-automóvel". Incrível, temos praticamente as mesmas percepções sobre o problema, sobre as soluções, e sobre os "problemas das soluções".

Na verdade, eu procurava a transcrição do absurdo que ouvi no Bom Dia Brasil no começo da semana, e acabei caindo nos comentários dela sobre a mesma reportagem. Como não achei a transcrição, vou de memória:

Chamada (Renato Machado): "Pesquisa mostra que São Paulo tem um dos estacionamentos mais caros do mundo"

Abertura da reportagem (jornalista da Globo): "Uma pesquisa feita em 140 cidades de diversas partes do mundo mostrou aquilo que os paulistanos já sabiam na prática: São Paulo tem um dos estacionamentos mais caros do mundo"

Este que vos fala: "WTF?!?!?!"

Os quatro assinantes deste blog devem lembrar de post de 2008 chamado "São Paulo pode parar", e sua atualização em 2009, "São Paulo (ainda) pode parar", que diziam exatamente o contrário: São Paulo tem um dos estacionamentos mais baratos do mundo, sobretudo quando ponderamos por tamanho ou densidade populacional, frota de veículos etc.

O conteúdo da reportagem do Bom Dia Brasil, entretanto, mostrou que eu não estava louco: "São Paulo é a 65ª cidade mais cara do mundo para estacionar o carro". Ah...

Espera um pouco: São Paulo, uma das maiores metrópoles do planeta, está praticamente na metade do ranking, e a chamada a coloca entre "as mais caras do mundo"? Será que a chamada se inverteria ("São Paulo tem um dos estacionamentos mais baratos do mundo") estivesse ela apenas seis posições atrás, na 71ª colocação?

Ou é má fé, ou é mal jornalismo. Vindo da maior rede de televisão do Brasil, nenhuma das duas hipóteses é aceitável...

Fretados

Vistos como uma boa solução no passado, hoje são um imenso problema no trânsito paulistano.

Seus usuários são contundentes: nenhum transporte público se equipara a eles em conforto ou conveniência.

A frota aumentou muito nos últimos anos, contribuindo para o agravamento do problema.

Cometem freqüentemente infrações e atrapalham a vida dos outros motoristas.

Não raro, estacionam irregularmente bloqueando até mesmo os pontos dos ônibus públicos.

Muitos deles estão em péssimo estado de conservação, contribuindo para a piora do meio ambiente.

Em vários outros faltam diversos itens de segurança, colocando em risco a vida de motoristas e passageiros.

Como já deve ter ficado claro, estou falando dos... automóveis particulares.

Não é que eu acho que os fretados não causem problemas. É que os problemas não são muito diferentes daqueles causados pelos veículos que, em sua imensa maioria, levam apenas um passageiro.

Há um problema de local para desembarcar? Que tal transformar vagas de estacionamento nas ruas em pontos de parada de fretados, em horários determinados (das 7 h às 9 h e das 17 h às 19 h, por exemplo)? Naquele mesmo espaço de poucos metros, melhor que desembarquem milhares de passageiros de fretados do que que estacionem por 8, 10 horas seguidas apenas alguns poucos veículos particulares. Pista é (deveria ser) para circular.

Faltava coordenação, regulação dos fretados? Certamente. Sem planejamento de linhas e trajetos, de horários de embarque e desembarque, de pontos pré-determinados de parada etc., era evidente que haveria problema.

Também faltou --e muito-- a aplicação de códigos já existentes. Li depoimentos de pessoas que reclamavam que os fretados bloqueavam todos os dias a entrada de garagem de seus prédios. Se a CET multasse e pontuasse a infração na habilitação do motorista do fretado alguns dias na mesma semana, já seria o suficiente para ele perder a habilitação por um bom tempo.

Mas o pior, para mim, é ver que os planejadores públicos não entendem que os fretados não estão disputando espaço com o transporte público, mas principalmente com os particulares. É a alternativa coletiva ao conforto e à conveniência que um carro oferece, e que nem no sonho mais delirante do nosso prefeito o transporte público pretende se equiparar (o que não é dizer que o transporte público não possa ser melhorado -- pode e deve, e muito).

Ou o que seria pior: entendem, mas já tomaram a decisão de que o último grupo contra os quais eles querem comprar briga é com a classe média motorizada. Só isso para entender por que vêm tomando repetidamente as piores decisões possíveis em relação ao trânsito paulistano.

Algumas idéias inovadoras e de alto impacto já apresentei aqui neste blog (as "medidas extremas" nº 1, 2, 3, 4 e 5). Algumas já foram adotadas e aprovadas por outras cidades do mundo. Outras, acho que ninguém ainda teve coragem de adotar ("tarifa zero" no transporte público, por exemplo).

Há algum político corajoso e visionário capaz de tomar alguma dessas medidas (ou outras do mesmo naipe) por aqui?

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Leading by example

Michael Bloomberg, o prefeito de Nova Iorque, é uma das dez pessoas mais ricas dos EUA, e o residente mais rico da cidade que administra.

Defensor do transporte público, ele vai ao trabalho todos os dias de metrô. Ok, ele pega uma pequena carona de carro até uma estação um pouco mais distante de sua residência, de forma a evitar baldeações e pegar o trem expresso, mas 75% de seu trajeto diário é feito em transporte público.

Como o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, vai ao trabalho? Não sei se é todo dia, mas sei que o prefeito faz uso regular de helicóptero (até mesmo durante a campanha, enquanto a candidata Soninha pedalava sua bicicleta).

O secretário de Transportes, Alexandre de Moraes, foi hoje de manhã até a estação Imigrantes do metrô investigar o cumprimento das novas restrições sobre os ônibus fretados. Negando que os usuários trocariam os fretados por carros particulares, o secretário mostrou convicção de que eles passarão a utilizar o transporte público. Cercado por usuários irritados de fretados, fugiu em disparada. De carro. (A secretaria municipal de Transportes fica na rua Boa Vista, a poucos metros do metrô São Bento.)

Bem, se os dirigentes de São Paulo estão tão confiantes na rede de transportes públicos da cidade, por que não a utilizam diariamente?

PS: Essa minha indignação faz parte de uma opinião mais ampla que tenho sobre "liderar pelo exemplo", segundo a qual os dirigentes públicos deveriam usar os mesmos serviços públicos pelos quais são responsáveis (aliás, acho que isso deveria valer para administradores privados também, que deveriam consumir a comida que produzem, ligar para a central de atendimento ao consumidor que oferecem etc.). Talvez seja a maneira mais rápida e pacífica de resolvermos grande parte dos problemas que nos afligem...

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Pic of the day

Photo by Peter Rimar
KabulStreet04a.jpg
Afghan teenager smiles for the camera in downtown Kabul, Afghanistan (June 2003).

Via Wikipedia apud Reddit

Como funciona o Congresso

"Deputado, assina aqui para mim." A maioria assina sem titubear, em geral sem saber do que se trata. "Só um ou outro xarope pede explicação", diz. Vez por outra, voltam para reclamar: "Poxa, Jani, era para cpi...", protestam, depois de terem inadvertidamente apoiado a instalação de uma.

Deliciosa reportagem da Revista Piauí sobre a arte de recolher assinaturas para a criação de CPI, requerimentos de Proposta de Emenda Constitucional, recursos...

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Uma doença coletiva

Os defensores da ética na atividade pública pregam para os convertidos. Os outros formam na legião dos desesperançados ou dos indiferentes.

Bastante cínico e realista (como eu). Bárbaro, o artigo.

Mais gostoso ainda foi ter falado sobre isso hoje durante o almoço, antes de tê-lo lido.

* * *

Uma doença coletiva

Luiz Weis  |  O ESTADO DE S.PAULO, 22 DE JULHO DE 2009

    É confortador imaginar que, nas suas proporções conhecidas, a corrupção um dia se tornará disfuncional para o desenvolvimento brasileiro. Seria uma questão de incompatibilidade. O argumento é que, a partir de um certo patamar, por força da própria evolução de suas relações com a esfera pública, as forças do sistema econômico finalmente pressionariam os governos a reduzir a dimensões toleráveis o espaço que neles ocupam o patrimonialismo, a patronagem e o coronelato político, remanescentes de um País que teria caducado.

    Mas não convém apostar nisso o último centavo. Comparando: o mundo já mostrou que a economia de mercado, ou qualquer outra que tentou substituí-la, não é nem a irmã nem a parteira da liberdade e da democracia, salvo quando o bloqueio à circulação de ideias trava o crescimento, por inibir a inovação científica e tecnológica – o que foi o caso da União Soviética, mas não é, longe disso, o caso da China.

    Do mesmo modo, a economia é perfeitamente capaz de avançar num cenário de práticas políticas arcaicas – desde que não se voltem contra ela. Do contrário, a corrupção entranhada no seu sistema político teria impedido o Japão de ser a segunda maior potência econômica do globo. (A esbórnia também corre solta na China, sem efeitos palpáveis sobre a sua fabulosa expansão.)

    Claro que a corrupção produz, no acumulado, um incalculável desperdício de recursos. A captura dos Poderes do Estado pelas caciquias políticas e seus parceiros na sociedade, assim como a infinidade de pedágios que os agentes econômicos pagam às máfias burocráticas para prosperar – em determinados setores, um dado central da competição entre as empresas –, cria um aluvião de gastos que de outro modo teriam um destino socialmente mais justo.

    Só que o fato de tudo sair mais caro do que precisaria, décadas depois de décadas, não impediu que o País crescesse nem impedirá que continue a crescer. O perverso repasse dos custos, de quem pode mais para quem pode menos, garante a perpetuação do processo. A qualidade dos serviços públicos dos quais a maioria da população depende seria naturalmente outra, mas desde quando isso foi um breve contra a corrupção? Para a imensa constelação de interesses que conhecem o caminho das pedras, dá no mesmo.

    Ainda agora, na passagem dos 15 anos do Plano Real, uma profusão de comentaristas destacou que a estabilização monetária criou condições para mudanças institucionais que provocaram reações em cadeia na gestão macroeconômica e no manejo das finanças públicas. Mas é como se nada disso tivesse acontecido, a julgar pela persistência dos velhos costumes políticos. Eles eram coerentes com o Brasil pré-Real, mas só em teoria se tornaram incoerentes com o pós. O poder oligárquico opera com as metas, os métodos – e em geral com os resultados – de sempre.

    A sequência dos escândalos no Senado mostrou como vai bem, obrigado, a forma de proceder dos políticos que espelha, com desenvoltura típica, a disseminada "cultura da transgressão" de que fala o historiador Boris Fausto. Nela se escora a impunidade que do lado de cá tanto se condena, mas não a ponto de desencadear uma contestação efetiva ao seu reinado. Provavelmente porque, embora em muitos aspectos o Brasil se tenha renovado, a complacência como ilícito segue inabalada.

    Em parte, pelo cálculo de conveniências – caso do presidente Lula quando coloca o senador José Sarney sob a proteção do governo. Em parte, pela resignação dos escandalizados. Esse é um ponto que não pode ser excessivamente sublinhado. Quaisquer que sejam as suas modalidades, a corrupção se mantém porque o País pode ir para a frente coexistindo com ela e porque a rotina da privatização do patrimônio comum não é desafiada por valores amplamente compartilhados em sentido contrário.

    Os defensores da ética na atividade pública pregam para os convertidos. Os outros formam na legião dos desesperançados ou dos indiferentes. Os novos incluídos que se beneficiaram da combinação singular do recente ciclo de prosperidade com os ousados programas sociais de Lula não estão nem aí para a lambança dos políticos e dos operadores do aparelho de Estado. E por que haveriam de estar? A melhora de seu padrão de vida não dependeu da diminuição dos níveis de corrupção nas instituições lá de cima.

    Instituições – para quantos brasileiros isso realmente importa? Para a economia, sem dúvida. Afinal, embora varadas de fraudes, o seu funcionamento e sua estabilidade são essenciais para a segurança dos empreendimentos. Para outros setores vocais da sociedade, nem o receio de que a sua erosão as mergulhe numa crise de efeitos insuspeitados os leva a articular um projeto para o seu resgate preventivo.

    É um panorama paradoxal. Este é o país em que o recém-eleito presidente da UNE diz, numa boa, que "émais do que legítimo que o governo financie o movimento estudantil" – uma forma de corrupção como qualquer outra. Mas é também o país em que, segundo uma consulta que recebeu nada menos que 500 mil respostas, a maioria falou espontaneamente em valores como ética e honestidade ao responder à pergunta: "O que deve mudar no Brasil para sua vida melhorar de verdade?"

   As pessoas podem fazer a coisa errada, mas pelo menos sabem qual é a coisa certa. Ou, como observou a senadora Marina Silva, em artigo na Folha de S.Paulo de segunda-feira, comentando a consulta que dará o mote para o próximo relatório das Nações Unidas sobre desenvolvimento humano no Brasil: "Não se trata de colocar no pedestal a sociedade supostamente virtuosa contra um território vicioso, que seria o da política. Há enormes contradições entre o que se entende ser o correto e aquilo que de fato se pratica."

    Essa contradição é agravada pelos "sinais emanados das instituições", diz ela. "É um processo que acaba virando doença coletiva." É também um círculo vicioso que nada interrompe.

Luiz Weis é jornalista.

URL: http://digital.estadao.com.br/download/pdf/2009/07/22/A2.pdf

* * *

Para quem chegou até aqui, um brinde: o link para o debate que fizemos em agosto de 2007 sobre o tema da "cultura das transgressões no Brasil" (com acesso aos vídeos das palestras) e para o livro homônimo que lançamos logo depois.

320.jpg

sábado, 18 de julho de 2009

São Paulo (ainda) pode parar

São Paulo continua com um dos estacionamentos mais baratos do mundo (entre grandes metrópoles), e ainda parece escândalo quando se divulga que um estacionamento na região da Berrini custa (oohhhh!) R$ 300 por mês…

Shutterstock

Daily parking rate, 2008

Fonte: The Economist

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Departures

AFP

Para que tanto apego ao corpo, mesmo depois que ele perde a utilidade?

Correção: ele perde a utilidade se simplesmente o queimarmos.

Na terra, ao menos serviria como adubo. Mas se enchermos de concreto em volta, como fazemos nos países predominantemente monoteístas (apenas em 1963 a igreja católica aboliu as restrições à prática, muçulmanos ainda proíbem, e os judeus também não gostam muito da idéia, diz a The Economist), ocupa um espaço danado. Menos problema em países pouco populosos, também argumenta a revista. Mesmo assim, em vez dos cemitérios poderia haver parques! Imagina uma São Paulo com 10 vezes mais Ibirapueras, que beleza...

Por que não doar para a Medicina, para melhorarmos as aulas de anatomia? A proporção de cadáveres por aluno ainda é baixíssima no Brasil (só não é menor por conta dos indigentes -- e pelo contrabando de cadáveres).

Não consigo entender por que alguém prefere ter seu corpo lentamente devorado por milhões de bactérias carnívoras ou incinerado a dar sua última contribuição para a melhora das condições de vida dos que aqui ficam. É o ato final de egoísmo (ou da pura falta de esclarecimento).

Ainda sobre o assunto:

Gostaria que minha cerimônia de despedida fosse como a do filme Philadelphia (ninguém chorando; uma celebração da vida, não da morte). Ou quem sabe assim (o filme mais bonito que vi esse ano).

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Evolução e moralidade

http://jenlars.mu.nu/puppies_baby.jpg

What would you do if you found a wallet on the street? Leave it? Take it to a police station? Post it back to the owner? Keep it, even?

The answer, scientists have found, depends rather more on evolution than morality.

Interessante artigo do The Times sobre um experimento com carteiras abandonadas. As chances de retorno decresciam com base no que havia dentro da carteira (além dos documentos). Das "mais devolvidas" para as "menos":
  • Foto de bebê sorrindo: 88% de retorno
  • Foto de filhote de cachorro: 53%
  • Foto de família feliz: 48%
  • Foto de casal de simpáticos velhinhos: 28%
  • Papéis de doação de caridade: 20%
  • Apenas documentos ("carteira-controle"): 15%
Se eu colocasse a foto acima, minhas chances se somariam, ou ficariam entre 53 e 88%? (pena que o bebê não está sorrindo...)

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Vengeance is best served… creatively

We've heard this tune before, but this one ends with a twist:

  1. Musician witnesses United Airlines baggage handlers throwing his guitar
  2. Guitar is wrecked, but United won't help
  3. Singer writes a song and makes a video: "United Breaks Guitars"

More about Carroll's saga here

terça-feira, 7 de julho de 2009

Imigração e criminalidade

Quando estudava "capital social", tinha uma forte intuição de  que não seria o número de imigrantes em si, mas a "receptividade" aos imigrantes e a disposição de integrá-los à comunidade mais ampla que mais afetaria a relação entre imigrantes e criminalidade numa dada sociedade.

Bom saber, pelo post abaixo, que há evidências que suportam essa minha intuição:

Does a receptive climate toward immigrants reduce crime?
http://gritsforbreakfast.blogspot.com/2009/07/does-receptive-climate-toward.html

(thanks to Colleen McGue for the tip)

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Para beber

Estou pensando numa nova tática da próxima vez que comer em algum restaurante: não pagar no cartão os 10% de serviço, mas entregar o valor em mãos a quem me atendeu.

Agora estou começando a entender os "tip jar" que existem em vários restaurantes dos EUA, e que a StarBucks trouxe ao Brasil...

PS: a notícia abaixo refere-se à matéria "Restaurantes chiques se unem contra lei da gorjeta"

* * *
São Paulo, quarta-feira, 1 de julho de 2009

ANÁLISE

Percepção sobre gorjeta pode mudar

HÉLIO SCHWARTSMAN
DA EQUIPE DE ARTICULISTAS

Por que damos gorjeta? A resposta a esse problema não é trivial e já mobilizou diferentes escolas de economistas.
Diz a lenda que, originalmente, clientes satisfeitos com os serviços oferecidos recompensavam o prestador saindo com ele para juntos molharem a garganta --daí que, em português, "gorjeta" vem de "gorge", o termo francês para "garganta". A mesma ideia se repete nas palavras francesa e alemã para designar a prática: "pourboire" (para beber) e "Trinkgeld" (dinheiro da bebida).
Partindo do pressuposto de que apenas hábitos que promovem a eficiência são conservados, economistas de correntes mais clássicas como Kenneth Arrow (Stanford) postularam a tese de que a gorjeta é uma excelente forma de os patrões controlarem a qualidade dos serviços prestados por seus funcionários: se estes obtêm boas gratificações é porque estão agradando aos clientes.
Essas teorias, entretanto, apresentam dificuldades. Para começar, elas não explicam diferenças entre países. Enquanto nos EUA a gorjeta é uma instituição fortíssima --um negócio de US$ 5 bilhões anuais--, na Austrália e na Nova Zelândia ela é vista com desconfiança, como "coisa de americano".
As abordagens clássicas tampouco explicam por que o freguês deixaria voluntariamente a gratificação --em especial quando ele sabe que nunca mais vai voltar ao local.
Esses e outros problemas levaram economistas comportamentais como Ted O'Donoughue (Cornell) e Ofer Azar (Ben-Gurion) a propor um modelo alternativo, no qual a gorjeta é descrita também como uma norma social. O freguês pagaria um preço ao infringi-la.
Quando o cliente sai de barriga cheia do restaurante sem deixar a caixinha, não apenas prejudica sua reputação externa (todos gostamos de parecer generosos), como também perde pontos na autoimagem. A atitude é vista como uma violação a conceitos que já internalizamos, em especial o de justiça.
O risco de propostas como a que agora tramita no Congresso é que elas provoquem mudanças de percepção. Se as pessoas passarem a ver a gorjeta como menos justa -o projeto explicita a apropriação de parte dela pelos patrões-, poderão simplesmente abandonar a prática. Eu, pelo menos, só deixava a caixinha devido à crença, ingênua, agora eu sei, de que os empregados ficavam com tudo.

URL: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff0107200911.htm

Minirrotatória

CET/SP apresenta: a minirrotatória:

Na verdade, transitar pela minirrotatória é bem mais simples do que muitos imaginam. Basta seguir dois princípios básicos:

(1) Dê a preferência a quem já está contornando o círculo

(2) Não bloqueie a área do cruzamento, ao redor da minirrotatória

Se os outros motoristas paulistanos entendessem, minha vida (e da minha esposa) seria muito melhor!

quarta-feira, 3 de junho de 2009

What would you do?

What would you do if a black woman was being harassed in a store for no reason?

(via LLL)

terça-feira, 2 de junho de 2009

Wolfram|Alpha

Lançado há apenas duas semanas, Wolfram|Alpha é um Google on steroids (na verdade, é muito mais: ele não devolve URLs, ele devolve informação sistematizada).

Nas próprias palavras do projeto:

Wolfram|Alpha's long-term goal is to make all systematic knowledge immediately computable and accessible to everyone.

And it likes to party. (via reddit)

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Tuva or Bust! The Last Journey of a Genius

I'm an explorer, okay? I get curious about everything and I want to investigate all kinds of stuff.

Richard Feynman (1918–1988)

Delicioso documentário de 54 minutos sobre a última jornada do cientista Richard Feynman, ganhador do Nobel em Física em 1965.

Além de uma mente brilhante, um espírito aventureiro e brincalhão de fazer inveja e deixar saudades.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Dia da Liberdade de Impostos

Hoje, dizem-me, o brasileiro começa a trabalhar para si, e não mais para o governo.

Do Jornal da Record (não assisto, vi no Toda Mídia de hoje): "Feliz 2009. Para quem paga imposto o ano começou só hoje."

Querem pagar menos impostos em 2010? Eu tenho uma proposta. Se gostar, divulgue-a entre amigos e parentes.

Abaixo está o orçamento federal aprovado para 2009, separado por órgão (até daria para eu adicionar o dos outros dois níveis de governo, mas ia dar um trabalho do cão e estou em horário de trabalho...). Os dados foram retirados de um poderoso (porém totalmente incompreensível para o cidadão comum) software de business inteligence do site do Senado. (Não deveria ser fácil?)

Toda a receita tributária vai para um desses órgãos. Nem tudo será gasto: a diferença compõe o "superávit primário", que podemos usar para o pagamento de juros e amortização da dívida pública.

Dá um total de R$ 638,7 bilhões que, para uma população de 191,2 milhões, representa (na média) R$ 3.341 saindo anualmente do bolso de cada um dos brasileiros.

A brincadeira é a seguinte:

Para cada real que você quer que o brasileiro deixe de pagar (ao governo federal) de imposto, tire R$ 191,2 milhões de algum órgão (ou um pouquinho de vários), até chegar na quantidade que você acha justa que paguemos.


Vamos lá:

Orgão

PL (R$)

CÂMARA DOS DEPUTADOS 2.163.542.244
ENCARGOS FINANCEIROS DA UNIÃO 183.882.600.495
JUSTIÇA DO D.F. E DOS TERRITÓRIOS 714.754.804
JUSTIÇA DO TRABALHO 5.852.053.371
JUSTIÇA ELEITORAL 2.269.324.042
JUSTIÇA FEDERAL 4.749.678.824
JUSTIÇA MILITAR DA UNIÃO 185.560.488
MIN. AGRICULTURA, PEC. E ABASTEC. 7.362.801.405
MIN. ASSISTÊNCIA SOCIAL 8.861.170.080
MIN. CIÊNCIA E TECNOLOGIA 3.713.479.493
MIN. CULTURA 344.986.558
MIN. DEFESA 28.081.925.274
MIN. EDUCAÇÃO 18.817.972.991
MIN. FAZENDA 11.856.209.723
MIN. INTEGRAÇÃO NACIONAL 4.634.211.443
MIN. JUSTIÇA 3.946.564.300
MIN. PREVIDÊNCIA SOCIAL 129.503.991.301
MIN. SAÚDE 35.799.255.232
MIN. CIDADES 1.750.561.856
MIN. COMUNICAÇÕES 2.863.126.504
MIN. RELAÇÕES EXTERIORES 1.281.155.267
MIN. MINAS E ENERGIA 31.456.253.281
MIN. DESENVOLVIMENTO AGRÁRIO 1.456.440.142
MIN. DESENVOLVIMENTO, IND. E COM. EXT. 905.047.201
MIN. ESPORTE 131.110.689
MIN. MEIO AMBIENTE 1.476.008.778
MIN. PLANEJ., ORÇAMENTO E GESTÃO 5.174.750.915
MIN. TRANSPORTES 9.315.622.038
MIN. TRABALHO E EMPREGO 26.770.979.940
MIN. TURISMO 233.183.861
MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO 1.476.716.531
OPERAÇÕES OFICIAIS DE CRÉDITO 24.113.440.995
PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA 2.275.244.844
RESERVA DE CONTINGÊNCIA 7.166.512.885
SENADO FEDERAL 1.795.226.108
SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA 431.482.041
SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL 211.266.750
TRANSF. ESTADOS, D.F. E MUNICÍPIOS 65.019.581.618
TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO 630.870.250
TOTAL (R$) 638.674.664.562
População 191.190.485
R$ / habitante 3.341

Só não vale dizer "O problema não é pagar! É não receber de volta o serviço correspondente!" ou "O problema é que o dinheiro é muito mal gasto!".

Tudo isso é verdade. Mas nos meus quase quinze anos de acompanhamento da política brasileira, nunca vi um debate eleitoral focado no tema "gestão pública", "eficiência" ou expressão similar. Nunca vi o brasileiro eleger esses temas entre os principais problemas do País. Nunca vi um político ser eleito ou reeleito tendo como marca "eficiência na gestão", nem político ser demonizado pelo oposto (o "rouba, mas faz" ainda se reelege por aqui).

A população quer sempre "mais". Mais Saúde, mais Educação, mais Segurança. Pois é, essas coisas custam dinheiro...

Se quiserem pagar menos impostos, não há mágica: ou indiquem onde cortar os gastos, ou exijam mais de seus governantes.

E, se optarem por cortar, também não há mágica: ou exijam gestores mais habilidosos (que consigam fazer mais com menos), ou preparem-se para "menos Saúde, menos Educação, menos Segurança".

terça-feira, 26 de maio de 2009

Metacognição

Essa vai com dedicatória ao amigo jP: que sua filha seja capaz de aguardar pelo segundo marshmallow!

A researcher then made Carolyn an offer: she could either eat one marshmallow right away or, if she was willing to wait while he stepped out for a few minutes, she could have two marshmallows when he returned.

[...]

Once Mischel began analyzing the results, he noticed that low delayers, the children who rang the bell quickly, seemed more likely to have behavioral problems, both in school and at home. They got lower S.A.T. scores. They struggled in stressful situations, often had trouble paying attention, and found it difficult to maintain friendships. The child who could wait fifteen minutes had an S.A.T. score that was, on average, two hundred and ten points higher than that of the kid who could wait only thirty seconds.

Abaixo, o link para o artigo publicado na The New Yorker deste mês. Quem não tiver paciência de ler tudo, o ótimo Radiolab abordou o mesmo tema (aliás, o mesmo jornalista entrevistando o mesmo pesquisador) algumas semanas antes, em março, em um curto episódio de 15 minutos (eu recomendo comer ambos estes deliciosos marshmallows!).

Don't!
The secret of self-control.
by Jonah Lehrer | The New Yorker | May 18, 2009
http://www.newyorker.com/reporting/2009/05/18/090518fa_fact_lehrer?currentPage=all

domingo, 24 de maio de 2009

Crise nos Países Baixos

É realmente triste assistir ao que acontece nos Países Baixos. Por conta da descriminalização da maconha e da prostituição e outras legislações irresponsáveis, o decadente país europeu corre o risco de perder mais de 1.200 postos de trabalho... no sistema penitenciário. Terão que importar criminosos belgas!

* * *

Netherlands to close prisons for lack of criminals

Published: 19 May 2009 16:31 | Changed: 20 May 2009 15:35

By our news desk

The Dutch justice ministry has announced it will close eight prisons and cut 1,200 jobs in the prison system. A decline in crime has left many cells empty.

During the 1990s the Netherlands faced a shortage of prison cells, but a decline in crime has since led to overcapacity in the prison system. The country now has capacity for 14,000 prisoners but only 12,000 detainees.

Deputy justice minister Nebahat Albayrak announced on Tuesday that eight prisons will be closed, resulting in the loss of 1,200 jobs. Natural redundancy and other measures should prevent any forced lay-offs, the minister said.

The overcapacity is a result of the declining crime rate, which the ministry's research department expects to continue for some time.

Belgian prisoners

Some reprieve might come from a deal with Belgium, which is facing overpopulation in its prisons. The two countries are working out an agreement to house Belgian prisoners in Dutch prisons. Some five-hundred Belgian prisoners could be transferred to the Tilburg prison by 2010.

The Netherlands would get 30 million euros in the deal, and it will allow the closing of the prisons in Rotterdam and Veenhuizen to be postponed until 2012.

URL: http://www.nrc.nl/international/article2246821.ece/Netherlands_to_close_prisons_for_lack_of_criminals

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Doações às vítimas das enchentes do Norte e Nordeste

Faz um tempinho que eu estava procurando alguma instituição séria que estivesse assistindo as vítimas das enchentes do Norte e Nordeste.

Não havia encontrado nada no site dos Médicos sem Fronteiras nem da Cruz Vermelha. Perguntei para um amigo que mora em Belém, e mesmo ele me disse não conhecer nenhuma de reputação ilibada.

Não queria que minhas doações acabassem como a de alguns acabaram lá em Itajaí, desviadas para quem menos precisava, ajudada por alguns voluntários do Exército brasileiro.

Hoje fiquei sabendo que a Ação Global, uma parceria da Rede Globo com o SESI, está atuando na região com essas vítimas. Se alguém tiver alguma restrição (não ideológica) a esse projeto, por favor me avise, senão é para eles que eu vou doar:

http://www.acaoglobal.com.br/solidariedade

quarta-feira, 20 de maio de 2009

O apreço não tem preço

Tem dias, não sei por quê, que estou com a sensibilidade lá nas nuvens. Como hoje.

Enquanto lavava a louça, lá pelas sete horas da madrugada, ouvia o episódio Reunited (And It Feels So Good) do ótimo programa de rádio This American Life.

Fala de "reuniões" (não aquelas que a gente marca com objetivo de marcar uma outra no final, as de se reencontrar e se reaproximar de alguém -- ou algo).

A primeira parte falava do "recasamento" de um casal iraniano que viveu 27 infelizes anos juntos, separaram-se, e depois se casaram novamente para, agora sim, viverem felizes para sempre.

A segunda, de um fazendeiro texano e seu boi, o Chance. Não era apenas seu boi, era o animal de estimação da família. Quando Chance morreu, ele ficou arrasado. Mas nessa época a Texas A&M ("rival" da minha) estava desenvolvendo técnicas de clonagem animal e procuravam voluntários. Assim nasceu Second Chance.

A terceira tratava-se da reunião entre um homem e o ideal pelo qual lutava. Fala do retorno do General Lafayette (Marquis de la Fayette) aos EUA, depois de ter tido papel fundamental no processo da independência americana -- e, anos depois, de quebra, da Revolução Francesa também. Uma reunião política parece a menos emocionante das três, não?

Pois é, não era. No surpreendente final da curtíssima história de 7 (sete!!!) minutos, chorei.

E poucas horas depois, andando em direção ao trabalho enquanto cantarolava "Amigo é pra essas coisas" (letra & música), com direito ao mosaico de vozes do MPB-4 e tudo, chorei novamente (também, pudera: é linda, mas triste de doer).

E, ao contar a história de Lafayette para meu chefe, chorei pela terceira vez.

Chega! Agora secou!