quinta-feira, 24 de junho de 2010

Short cuts: WASHITON

Washiton não consegue conter a felicidade. Se entrega eufórico ao convite das portas automáticas e se lança com entusiasmo nos corredores do shopping. Não tem a intenção de comprar nada. Só corre, de braços abertos e sorriso escancarado, costurando veloz aqueles longos e lustrosos caminhos, uma estrada de tijolos amarelos que não leva a canto nenhum em particular. Com os olhos semicerrados, Washiton vê uma sequência de flashes de coisas maravilhosas. Televisões enormes, vestidos curtos, papeizinhos perfumados que ele agarra de vez em quando, pantufas — pantufas! —, bonecos do Buzz Light-year, aqueles travesseiros da Nasa de viscoelástico que se amoldam ao contorno da cabeça e da cervical, e se mantêm na posição enquanto dormimos! Tudo passando num continuum, como um carrossel de cavalinhos ligeiros visto de fora. A bossa nova genérica em volume moderado assobiando em seus ouvidos e o ventinho soprado intermitentemente das frestas no teto tornam aquele momento ainda mais agradável. Ao longe, Washiton avista algo parado no meio do corredor. Ele arregala os olhos e percebe que um coelho branco de uns 2 metros de altura está a sua espera, dançando e acenando para ele. Seu coração se inunda de um novo e arrebatador sentimento de bem-aventurança. Ele fecha os olhos, abre ainda mais os braços e acelera a corrida em direção ao coelhão. No trajeto deixa escapar uma mistura de grito e riso, tamanha a emoção. Ele então salta e mergulha no coelho. Abraçado com força àquela coisa grande e fofa, uma lágrima brota no canto do olho.

5 figuras (e 1 coletivo)

sábado, 19 de junho de 2010

Two and a half man

I'm not being facetious: he is two and a half times the man I am.

 

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Vigilância comunitária em Buenos Aires

Não fosse o fato de ter que me identificar, eu passaria o dia tirando foto e mandando e-mail...

* * *
São Paulo, quinta-feira, 17 de junho de 2010 

FOCO

Buenos Aires cria sistema de delação de infrações pela web

GUSTAVO HENNEMANN
DE BUENOS AIRES

Os motoristas de Buenos Aires começaram a semana mais desconfiados. Qualquer pessoa agora é um guarda de trânsito em potencial e pode multar os infratores com um simples e-mail à prefeitura da capital argentina.
O sistema de denúncias pela internet só exige a foto do carro flagrado em situação irregular e a identificação do "dedo-duro", que pode ser chamado para confirmar as informações.
No primeiro dia, a prefeitura recebeu 99 e-mails e aplicou 35 multas. A maioria era de casos de veículos estacionados irregularmente em cima da calçada.
Grande parte das denúncias foi descartada porque não permitia a identificação da placa do carro ou não continha o nome e número de documento de quem fez a acusação.
O principal objetivo da medida é coibir o estacionamento em fila dupla, o uso irregular de vagas para deficientes físicos e a invasão de faixas de pedestres.

CRÍTICAS
Como a denúncia de infrações por cidadãos comuns já era prevista na legislação local, o único trabalho da prefeitura foi divulgar o endereço eletrônico no qual recebe as fotos.
Para a oposição e especialistas, o sistema tenta compensar a incapacidade de fiscalização do órgão de trânsito municipal.
Os críticos também não concordam em exigir a identificação de quem denuncia, porque constrange e pode gerar conflitos, segundo eles.
A administração da capital argentina diz que a iniciativa tenta promover uma mudança cultural, para que os "cidadãos se envolvam na resolução dos problemas da cidade e não deixem tudo na mão do Estado".
O órgão responsável pela fiscalização das via urbanas admite que não tem condições de estar presente em todos os bairros da cidade.

URL: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mundo/ft1706201003.htm

terça-feira, 15 de junho de 2010

A maldição da Copa

O lado da Copa que o torcedor não vê:

O Parque Kruger, no nordeste do país, é a maior reserva natural da África. Em 2006, um consórcio ganhou a licitação para a construção de um estádio na entrada do Kruger, na cidade de Nelspruit. Entre as exigências do grupo, estava a de que engenheiros e trabalhadores especializados fossem instalados em locais onde a luz e os aparelhos de ar-condicionado estivessem garantidos. A única edificação em condições era uma escola primária de uma favela perto da obra. O governo da província não teve dúvida: há três anos a escola abriga o alojamento dos trabalhadores. As crianças foram transferidas para salas de aula provisórias, em contêineres de alumínio sem ventilação ou janelas.

Com colunas cor de laranja que lembram girafas gigantes, o estádio de Nelspruit custou 140 milhões de dólares. Palco de quatro dos 64 jogos, ele será usado por apenas seis horas durante a Copa. E dificilmente conseguirá depois lotar seus 46 mil lugares. Sua construção foi acompanhada por um escarcéu de suspeitas de corrupção, superfaturamento e desvio de verbas.

Infelizmente, nada disso soa estranho para mim (ainda que inadmissível). É preciso ficar muito atento por aqui. Pra frente, Brasil!

A Copa do Cabo ao Rio