segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Brasil, ontem e hoje (e amanhã?)

Três análises dolorosamente precisas do Brasil atual:
 
Um aspecto a salientar é que todo governo no Brasil ainda é intensamente "personalista". [...] O tamanho do poder em mãos de um presidente brasileiro é relativamente maior do que o poder do presidente dos Estados Unidos, visto que, desde os tempos de Getúlio Vargas, o Congresso nunca conseguiu se contrapor a ele... Embora o presidente dependa do Congresso para a aprovação de leis, a influência do Poder Legislativo na condução da política está viciada pela natureza primitiva da organização dos partidos políticos. Os partidos, apesar das implicações ideológicas de suas denominações, são essencialmente clubes políticos, criados para prover máquinas eleitorais a seus membros; estes, por sua vez, são homens que optaram pela atraente, lucrativa e "suja" carreira política; são frequentemente desprovidos de qualquer compromisso social ou ideológico, ou do sentido de servir à nação. Como consequência, a lealdade partidária é subordinada ao interesse próprio.

A segunda:

O estado [da capital do País] tem mais funcionários públicos do que Nova York; a Petrobras, só em São Paulo, emprega um número maior de químicos do que a Shell no mundo inteiro; pode-se comprar qualquer coisa - de uma carteira de habilitação a um juiz do Supremo Tribunal Federal; o reitor da Universidade Federal do Rio de Janeiro ganha [um salário miserável], enquanto os aluguéis são três vezes mais altos do que em Londres e os hotéis da cidade estão entre os mais caros do mundo (e entre os de pior atendimento); o país tem apenas 18 mil milhas de estradas asfaltadas e [no ano passado] os brasileiros mataram 10 mil pessoas nas estradas - mais do que o total de soldados americanos mortos no Vietnã [...]. Como já escreveu Peter Fleming, "o Brasil é um subcontinente com um autocontrole imperfeito".

E a conclusão fatal:

"Materialmente o país avançou a galope; politicamente marchou para trás. A política de terra arrasada dos coronéis interrompeu o desenvolvimento espiritual de um país potencialmente brilhante."

Eu disse Brasil atual? Quis dizer o Brazil da década de 1960. Na verdade eu quis dizer "Brasil atual" mesmo mas, para os autores dos trechos acima, tratava-se ainda do Brasil dos anos 1960.

Mais no ótimo artigo da Revista Piauí sobre as "cartas de despedida" (valedictory despatches) dos embaixadores britânicos.

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