quinta-feira, 30 de abril de 2009

Behind the scenes at The White House

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Stunning pictures!

http://www.sacbee.com/static/weblogs/photos/2009/04/021938.html

How Wall Street took over Washington D.C.

For six months before its meltdown, according to insiders, the company [AIG] had been searching for a full time chief financial officer and a chief risk-assessment officer, but never got around to hiring either. That meant that the 18th largest company in the world had no one checking to make sure its balance sheet was safe and no one keeping track of how much cash and assets the firm had on hand.

The Big Takeover
The global economic crisis isn't about money -- it's about power. How Wall Street insiders are using the bailout to stage a revolution
MATT TAIBBI  |  Posted Mar 19, 2009 12:49 PM
http://www.rollingstone.com/politics/story/26793903/the_big_takeover

Relato minuncioso da seqüência de eventos (uma "tragicomédia de erros", se preferirem) partindo da pura e simples ganância de executivos do setor financeiro até socorros trilionários do governo americano, passando por um processo de desregulação, menos supervisão e premiação de má-conduta, que parece apontar para desastres similares (ou ainda piores) no futuro.

O texto é longo, e meio carregado de termos chulos (será que é padrão na RollingStone?), mas a leitura realmente vale a pena.

PS: Acabo de constatar que o conteúdo integral do artigo não está mais no site (a RS deve abrir apenas o da edição atual). Mas tem uma "palhinha" do artigo no link acima, eu tenho ele impresso (e todo rabiscado), e nas internets não deve ser difícil encontrar o texto integral.

domingo, 26 de abril de 2009

Gripe suína

Agora dá para acompanhar pelo Google Maps a evolução da epidemia.

Eu achava que estava circunscrita a México e EUA, mas já há casos (confirmados e suspeitas) no Canadá, Espanha, França, Escócia, Israel e Nova Zelândia (pessoas que retornaram recentemente de viagem ao México e apresentaram os sintomas).

Será que o Google Alerts pode me avisar quando o H1N1 chegar por aqui?

Experimenting with drug laws

"Judging by every metric, decriminalization in Portugal has been a resounding success," says Glenn Greenwald, an attorney, author and fluent Portuguese speaker, who conducted the research. "It has enabled the Portuguese government to manage and control the drug problem far better than virtually every other Western country does."

The Portuguese Experiment: Did Drug Decriminalization Work?
Time Magazine  |  By Maia Szalavitz  |  Sunday, Apr. 26, 2009
http://www.time.com/time/health/article/0,8599,1893946,00.html

sexta-feira, 24 de abril de 2009

O Brutus também ama

http://channel.nationalgeographic.com/channel/content/expedition-grizzly-3909/brutus-and-me/Images/025_CB_SP_high%20five.jpg

http://channel.nationalgeographic.com/channel/content/expedition-grizzly-3909/brutus-and-me/album-01.html (25 imagens)

Joke of the day

A black man was entering heaven and St Peter asked him if he had encountered any prejudice on earth. "No, not at all," he said. "I joined an all-white Baptist church and they graciously welcomed me into the congregation; joyfully accepted me into membership, and even baptized me." "What happened after you were baptized and became a member?" asked St Peter. (Pause) "You know, that's odd, because that's the last thing I remember."

quinta-feira, 23 de abril de 2009

The stone tablets I can get behind

  1. MAINTAIN HUMANITY UNDER 500,000,000 IN PERPETUAL BALANCE WITH NATURE

  2. GUIDE REPRODUCTION WISELY — IMPROVING FITNESS AND DIVERSITY

  3. UNITE HUMANITY WITH A LIVING NEW LANGUAGE

  4. RULE PASSION — FAITH — TRADITION AND ALL THINGS WITH TEMPERED REASON

  5. PROTECT PEOPLE AND NATIONS WITH FAIR LAWS AND JUST COURTS

  6. LET ALL NATIONS RULE INTERNALLY RESOLVING EXTERNAL DISPUTES IN A WORLD COURT

  7. AVOID PETTY LAWS AND USELESS OFFICIALS

  8. BALANCE PERSONAL RIGHTS WITH SOCIAL DUTIES.

  9. PRIZE TRUTH — BEAUTY — LOVE — SEEKING HARMONY WITH THE INFINITE

  10. BE NOT A CANCER ON THE EARTH — LEAVE ROOM FOR NATURE — LEAVE ROOM FOR NATURE


Estes dez mandamentos, instruções para o "pós-apocalipse", estão num misterioso monumento (tábuas gigantescas de granito), uma espécie de American Stonehenge, localizado no estado americano da Georgia.

O item 1, lembrem-se, diz respeito ao repovoamento do planeta, pois trata-se de um mundo pós-apocalipse, no qual só as baratas, escorpiões e pessoas com alto grau de miopia (a julgar pelo tamanho do monumento) sobreviveram.

Para quem acha que o item 2 é levemente eugênico, como o autor do artigo acima, vale a pena assistir ao documentário da BBC que eu postei alguns dias atrás. É justamente o oposto! (Corrigindo: é eugenia, sim, mas por meios opostos daqueles perseguido pela American Eugenics Society e, posteriormente, por Adolph Hitler, que é o da "pureza racial" e não da diversidade)

Acho que minha única questão com a lista acima é o item 6, pois supõe um mundo ainda dividido em fronteiras nacionais, o que eu considero um paradigma "pré-apocalipse".

No mais, acho que a lista acima faz muito mais sentido do que os dez mandamentos da narrativa de Moisés, profeta caro às três grandes religiões monoteístas (judaísmo, cristianismo e islamismo).

Involução ética na política brasileira

Deu-se entre nós um curioso fenômeno: a involução ética do político profissional. O nosso sistema representativo, em lugar de aperfeiçoar e depurar a atividade parlamentar, logrou justamente o oposto. Uma perversa "seleção natural" às avessas afastou da política os seres humanos incapazes de conviver com a mentira institucionalizada e privilegiou os mais truculentos, os mais dissimulados e os mais ambiciosos.

Ótimo op-ed (como é isso em português, "coluna opinativa"?) de Eugênio Bucci na edição de hoje do O Estado de S. Paulo.

Aliás, para fazer propaganda onde propaganda é devida, Bucci vem me impressionando muito positivamente desde o debate de que participou organizado pelo iFHC e pela Folha sobre TV pública e democracia. No site tem vídeo integral do debate.

* * *
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Quinta-Feira, 23 de Abril de 2009 | Versão Impressa

Teoria da involução de uma espécie

Dizem que a esperteza, quando é muita, engole o dono. O que estamos vendo agora é que a esperteza está engolindo o Congresso Nacional. Um imenso bueiro se abriu sob os dois pilares de concreto do Senado e da Câmara, no centro da Praça dos Três Poderes, em Brasília. É um maremoto. A reputação das duas Casas vai naufragando. A crise começou há cerca de 80 dias, com escândalos de variados naipes: celulares pagos pelo contribuinte cedidos a parentes de parlamentares, aluguéis de jatinhos, profusão de diretorias sem finalidades compreensíveis. Agora vem à tona a farra das passagens aéreas. O bueiro vai-se alargando numa agonia que parece não ter mais fim.

Não vivemos uma crise menor. Não se trata apenas de deslizes localizados que possam ser corrigidos pela adoção de novas regras, supostamente disciplinadoras. O desastre é mais vasto e mais devastador. Tem razão Dora Kramer quando escreveu, aqui mesmo, neste jornal, que "a crise é moral, de valores, de ausência de espírito público, de dissolução de princípios, de descaramento absoluto" (Excelências sem fronteiras, 22/4, A6). Há os parlamentares que cometeram atos que a todos nós envergonham, mas há também os que, cientes desde antes de comportamentos condenáveis dos colegas, preferiram se calar, num obsequioso silêncio corporativo. Entre uns e outros, os cidadãos se perguntam: mas, então, não há ninguém ali em quem possamos confiar? Será que os mesmos que se beneficiaram das imoralidades - ou os que fingiam não vê-las - serão capazes de fazer valer as tais medidas moralizantes?

Deu-se entre nós um curioso fenômeno: a involução ética do político profissional. O nosso sistema representativo, em lugar de aperfeiçoar e depurar a atividade parlamentar, logrou justamente o oposto. Uma perversa "seleção natural" às avessas afastou da política os seres humanos incapazes de conviver com a mentira institucionalizada e privilegiou os mais truculentos, os mais dissimulados e os mais ambiciosos. Reflexo de um tempo em que o vício da ganância foi convertido em virtude, a nossa política foi-se convertendo num trampolim para a ascensão social e para o alpinismo no poder. Um negócio lucrativo e nada asséptico. O ar que para uma pessoa normal é apenas irrespirável se tornou o perfume inebriante dos que se gabam de ter "casca grossa". O eleitor vê-se assaltado pela sensação de que só sobrevivem no Congresso Nacional os que são aptos a confraternizar com toda forma de tapeação da cidadania. Com seus sorrisos de plástico, são eles os representantes do povo. Ao povo propriamente dito resta o desamparo.

No meio disso tudo, uma única instituição vem cumprindo o seu papel: a imprensa. Ela não tem sido meramente uma das melhores amigas da democracia: tem sido a única. Os caciques se queixam de uma campanha difamatória dos jornais contra o Parlamento. Chega a ser patético. Até onde eles pretendiam chegar com suas condutas inconfessáveis? Na verdade, a democracia, agora, só tem uma esperança: a abertura total das contas dos deputados e senadores. Só disso poderá surgir alguma solução. Aí é que entra a imprensa, cumprindo o seu dever. Quanto mais ela informar sobre isso, melhor. Quanto mais insistir, melhor.

A imprensa ainda tem muito a investigar nesse quadro de ironias sórdidas em que a inversão de valores atingiu o nível do inacreditável. A política deveria ser o prolongamento da ética, ou seja, a construção da virtude com vista ao bem comum. Foi por isso, entre outras razões, que Aristóteles divisou na política a realização da ética, assim como a medicina é a atividade que procura alcançar a saúde. Falar hoje, como temos falado, de uma política sem ética é o mesmo que falar numa medicina cujo bem maior não seja a saúde. Simplesmente não faz sentido. No entanto, é disso que estamos falando: uma política que, em termos lógicos, não tem sentido, pois dá sinais de ter-se divorciado de qualquer ideia de bem comum.

Há 2.400 anos, Sócrates, o pai da Filosofia, desafiado a dar provas de que dizia a verdade no julgamento que o sentenciou à morte, não hesitou: "O testemunho seguro de que é verdade o que vos digo, eu o dou: a minha pobreza." Aos 70 anos de idade, ele sabia que sua vida dedicada ao saber e à causa pública não se tinha desvirtuado pela tentação do enriquecimento. Ele não fizera de sua projeção um negócio lucrativo. Por isso, afirmava a sua credibilidade. Que parlamentares hoje poderiam dizer a mesma coisa?

Há de haver alguns, por certo. Com esses nós esperamos contar agora. Que se manifestem. Que travem o bom combate. Que se insurjam contra a cultura estabelecida, a cultura da esperteza. Que rompam com o corporativismo do atraso. Uma ética não se faz apenas do caráter de cada um, mas da transformação dos costumes vigentes - e estes, agora, devem ser subvertidos, pois foram eles que promoveram a "seleção natural" às avessas que elegeu o que há de pior no humano como requisito da ação política.

De onde virá a transformação dos velhos costumes? Eis aí uma questão dolorosa. É difícil acreditar que os parlamentares atualmente encastelados em seus mandatos tenham legitimidade para tão grande tarefa - esse é um desafio que teremos de enfrentar no próximo período, isso numa perspectiva otimista, ou seja, na perspectiva de que a sucessão de escândalos evolua para uma real superação dos hábitos que têm vigorado. Vamos aguardar os próximos lances.

De um jeito ou de outro, ou o Congresso Nacional se reinventa - e rápido - ou verá sua reputação institucional engolida pelo maremoto da esperteza. Que a imprensa continue a bater, pois vem batendo certo. E que os parlamentares dignos assumam o lugar que a sociedade espera deles.

Eugênio Bucci, jornalista, é professor de Ética da Escola de Comunicações e Artes da USP.

URL: http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20090423/not_imp359016,0.php

terça-feira, 21 de abril de 2009

K9 Nazis

Documentário da BBC: Pedigree Dogs Exposed
(duração: 59 minutos)

segunda-feira, 20 de abril de 2009

The Land of No Smiles

500

The story:
Renowned documentary photographer Tomas van Houtryve entered North Korea by posing as a businessman looking to open a chocolate factory. Despite 24-hour surveillance by North Korean minders, he took arresting photographs of Pyongyang and its people.

http://www.foreignpolicy.com/story/cms.php?story_id=4878&page=1

The rest of the photos from this series (63 in total) can be seen here. Hover for larger version & description.

terça-feira, 14 de abril de 2009

Clipe catastrófico do dia

Esse tem que assistir em HD e tela cheia. Chorei.

Clipe do dia

Motos andando na linha

Yes!

Ao mesmo tempo, pra isso virar realidade nas ruas vai uma distância... Até a moto da vinheta do "Motolink" do Bom Dia SP trafega no meio dos carros!

* * *
São Paulo, terça-feira, 14 de abril de 2009

Comissão da Câmara proíbe motos de trafegar entre carros
Pelo texto que passou pela CCJ, motoqueiros não poderão circular entre as faixas nem no momento da ultrapassagem
Projeto ainda precisa passar pelo Senado; presidente da associação prevê que medida acabará com a profissão de motoboy


JOHANNA NUBLAT
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

A CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei que proíbe o tráfego de motocicletas e motonetas entre as faixas de circulação dos veículos, mesmo nos momentos de ultrapassagem. O texto aprovado também proíbe a circulação entre a calçada e a faixa de circulação adjacente. A infração será considerada média, com multa de R$ 85,13.
A proposta, de autoria do deputado Marcelo Guimarães Filho (PMDB-BA), foi aprovada pela comissão em caráter terminativo. Isso significa que, se não houver um recurso que obrigue votação no plenário da Câmara, o projeto seguirá para análise do Senado Federal e, se for aprovado, vai para sanção do presidente da República.
Essa proibição já estava prevista no Código de Trânsito Brasileiro, mas acabou vetada pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso.
No ano passado, o governo federal incluiu uma proposta semelhante em um pacote de sugestões de alteração no Código Brasileiro de Trânsito, mas acabou recuando.
Em 2007, a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) de São Paulo divulgou a intenção de começar a multar as motocicletas que circulassem no espaço entre os veículos. A ideia foi abandonada sob a justificativa de que já estava sendo discutida pelo governo federal.
O professor da Universidade de Brasília Paulo Cesar Marques, especialista em circulação viária, afirma que a medida é correta. Já o presidente da associação dos mensageiros motociclistas do Estado de São Paulo, Ernane Pastore, prevê que a medida pode acabar com a profissão de motoboy.

URL: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff1404200910.htm

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Putting a financial value on the environment

Finalmente a The Economist foi introduzida ao conceito de "pagamento por serviços ambientais".

Agora, só falta o resto do mundo. Baby steps, Fabio, baby steps ...

* * *

Economist.com



Green.view

Environmental values
Apr 13th 2009
From Economist.com


How to ensure the environment is properly accounted for

ANY attempt to put an economic value on fresh air, clean water or tropical rainforests can offend the delicate sensibilities of those who argue that the conservation of nature is a moral duty. Yet although the best things in life appear to be free, that does not mean they are without financial value. It simply means that nobody asks you to pay when, for example, you watch a beautiful sunset over the hills.

Putting a financial value on the environment, however, may be the most important thing that people can do to help nature conservation. When governments allocate money, they do so according to where it will bring benefit. If a government is unaware of the value of a landscape to its tourism, or of a swamp to its fishing industry—and thus its foreign-exchange income—then it will invest too little in managing these resources. Worse, if the true value of a forest or swamp is hidden, governments may destroy it by subsidising the conversion of the land to agriculture. The costs are unknown for now, but may appear eventually as the price of building a filtration plant to remove the sediment from the water that the forest once took care of, or the price of importing food when fish vanish.

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Some estimates of the annual contribution of coastal and marine ecosystems to the global economy exceed $20 trillion, over a third of the total gross national product (GNP) of all the countries of the world. Even so, says Katherine Sierra of the World Bank, such ecosystems are typically much undervalued when governments made decisions about development.

Glenn-Marie Lange, also of the World Bank, attended a meeting in Washington DC organised by her employer to launch its report "Environment Matters" on April 6th. She told participants that one of the reasons why ecosystems become degraded is that their value to local people is often small. As a result, these people do not have much reason to manage their resources carefully. She estimates, for example, that only 36% of the income generated by the coastal and marine environments in Zanzibar goes to locals. Most of this comes from fishing; only a tiny fraction of the money from tourism ends up local hands.

More broadly, Dr Lange wants the value of the environment to be integrated into national and local accounting. She argues that governments should identify the contributions that marine ecosystems make to their countries' GNPs and foreign-exchange earnings. She also wants them to examine whether or not they are running down their countries' "natural capital".

Emily Cooper of the World Resources Institute, an environmental think-tank, put some figures on the value of tourism, recreation, fisheries and shoreline protection in Belize. It was an impressive $395m to $559m. The entire economy was worth about $1.3 billion in 2007. These figures, she thinks, have allowed environmentalists to protect Belize's threatened mangrove forests better.

For too long, an absence of proper green accounting has allowed people to privatise the gains from the environment but socialise the costs, to paraphrase Carl Safina, an American scientist and environmentalist at the meeting. As Dr Safina puts it, "conservation is not a trade-off between the economy and the environment. It is a trade off between the short and long term."

URL: http://www.economist.com/daily/columns/greenview/displaystory.cfm?story_id=13474652

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Descriminalizando o sexo

Ótima reportagem da BBC sobre a experiência neozelandeza com a legalização da prostituição:

Selling sex legally in New Zealand
Page last updated at 00:34 GMT, Tuesday, 17 March 2009
http://news.bbc.co.uk/2/hi/asia-pacific/7927461.stm

É a primeira parte de um artigo de duas partes. A segunda e última está aqui (ainda não li, vou tentar fazê-lo hoje à noite):

Europe and NZ poles apart on sex trade
Page last updated at 08:11 GMT, Wednesday, 18 March 2009
http://news.bbc.co.uk/2/hi/europe/7933973.stm

Introvert Like Me

Um introvertido (como eu) experimenta a vida de extrovertido por algumas semanas. Excelente artigo da ótima revista Slate.

Extroverted Like Me
How a month and a half on Paxil taught me to love being shy.
By Seth Stevenson  |  Updated Sunday, June 18, 2006, at 8:20 PM ET
http://www.slate.com/id/2143243

Para quem não sabe lidar com pessoas introvertidas, outro ótimo artigo de 2003, agora a The Atlantic, fornece um bom guia de convivência:

Caring for Your Introvert
The habits and needs of a little-understood group
by Jonathan Rauch  |  March 2003
http://www.theatlantic.com/doc/200303/rauch

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Transporte público em SP: prioridade?

Ou o corpo editorial da Folha passou a andar de ônibus, ou houve um processo espontâneo de crescimento de cojones no que se refere à administração de Kassab no setor de transportes, como já notado por este blog há algumas semanas.

Durante a primeira gestão, "pianinho", sobretudo ao receber a homenagem da ponte estaiada Octavio Frias de Oliveira -- que, aliás, também é "papel de parede" do cenário do Bom Dia São Paulo. Tá certo que esse aqui não é o blog mais isento para falar desse duplo tratamento, mas pelo menos destaca factualmente os trechos do impresso que evidenciam a metamorfose jornalística.

* * *


São Paulo, quarta-feira, 8 de abril de 2009


Populismo e chantagem

COMEÇOU de modo sorrateiro, numa carta à Câmara Municipal, a temporada de chantagens que habitualmente termina por fustigar os 5 milhões de usuários de ônibus urbanos na capital paulista. Na mensagem à vereança, sete das oito concessionárias do transporte ameaçam com "prejuízos irreparáveis na qualidade dos serviços" caso a prefeitura não aumente o repasse às empresas.
A provocação, método contumaz nesse setor empresarial, coincide com o início das negociações salariais entre as empresas, de um lado, e motoristas e cobradores, de outro. O mais correto, contudo, seria dizer que estão todos do mesmo lado -contra o usuário e o contribuinte.
Ano sim, outro também, as concessionárias aproveitam este momento para intimidar a prefeitura. Greves com estilo de locaute, e os transtornos colossais que acarretam, tornam-se um instrumento de barganha.
Neste ano, entretanto, a promessa populista do prefeito Gilberto Kassab (DEM) de manter congelada a tarifa do ônibus complicou ainda mais o quadro. O compromisso eleitoral firmado no auge da bonança econômica, quando a receita pública crescia em ritmo chinês, já não pode ser cumprido sem causar impacto sensível em outras áreas.
O subsídio repassado pela prefeitura às empresas chega a R$ 660 milhões anuais -o dobro do despendido em 2006. Sob o impacto da crise, a gestão Kassab já reduziu o incentivo à renovação da frota de ônibus. O preço da passagem não sobe, mas investimentos para melhorar o conforto e a agilidade dessa modalidade de transporte ficam ameaçados.
Enquanto isso, a aprovação popular dos ônibus paulistanos despenca. No fim do ano passado, só 41% dos usuários se diziam satisfeitos com o serviço -contra 61% em 2004, segundo pesquisa da Associação Nacional de Transportes Públicos.
Nada a estranhar. Quando o populismo do governante dá as mãos à chantagem do concessionário, quem sofre é a população.

URL: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz0804200902.htm

É proibido fumar

http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/6/6b/No_Smoking.svg/500px-No_Smoking.svg.png

LEI FEDERAL Nº 9.294, DE 15 DE JULHO DE 1996

Art. 2° É proibido o uso de cigarros, cigarrilhas, charutos, cachimbos ou de qualquer outro produto fumígero, derivado ou não do tabaco, em recinto coletivo, privado ou público, salvo em área destinada exclusivamente a esse fim, devidamente isolada e com arejamento conveniente.

A lei acima já seria mais do que suficiente... se fosse cumprida. A aprovada ontem será? Basta olhar para o passado recente para ser cético.

O que mais me incomoda em toda essa discussão é que os bares e restaurantes poderiam ter tirado a "janela de oportunidade" (policy window) dessa lei adotando voluntariamente medidas de puro bom-senso, impedindo que a fumaça de 20% de fumantes incomodasse os 80% não-fumantes (estatísticas da cidade de São Paulo). O princípio do "devidamente isolada" nunca foi levado a sério na grande maioria dos recintos. Em alguns, via-se até cinzeiros onde não se poderia fumar -- o que mostra que não era apenas desrespeito por parte dos cidadãos, mas conivência ativa da parte dos donos dos estabelecimentos.

No Shopping Villa-Lobos, quase apanhei de um fumante ao pedir para que apagasse o cigarro. Já devia ter imaginado: quem não respeita o próximo provavelmente não é capaz de uma discussão civilizada. (O mesmo ocorre no trânsito: em geral são aqueles infratores contumazes os motoristas mais agressivos.)

Outra coisa que não consegue entrar neste meu pequeno cérebro: a indústria tabagista não está no negócio de produção de fumaça, mas de nicotine delivery ("entrega de nicotina"?). A fumaça é não apenas desnecessária para que a nicotina chegue à corrente sangüínea dos usuários da droga, como causa transtornos aos não-fumantes, elevando os riscos de saúde e pressionando por restrições cada vez maiores ao fumo.

Por que diabos, então, a indústria tabagista tem demorado tanto tempo para disponibilizar amplamente dispositivos que não gerem fumaça? Não estou falando apenas dos chicletes e dos adesivos de nicotina (que, aliás, não são fabricados por elas, mas pela indústria farmacêutica), mas de coisas como a "cigarrilha eletrônica", que seria a transição mais natural do cigarro para mecanismos não inflamáveis de entregar a dose da droga a seus usuários. O fumante a segura como um cigarro convencional, e dá o trago como um cigarro convencional, mas é um dispositivo eletrônico que libera a nicotina.

A despeito das limitações (inclusive da OMS), esta solução ao menos acabaria com outro hábito nojento dos fumantes (inclusive de uma querida amiga, doutora em Administração Pública): o de jogar a bituca do cigarro no chão. Aliás:

LEI MUNICIPAL Nº 10.315/1987 (São Paulo, SP)

ART.  24º  -  É proibido lançar ou atirar, nas vias, praças, jardins, escadarias e quaisquer áreas e logradouros públicos, papéis, invólucros, cascas, restos, resíduos, lixo de qualquer natureza, bom como confetes e serpentinas, exceto, estes dois últimos, em dias de comemorações especiais.

A multa prevista, de 20 UFM (alguém atualizou isso?!), daria mais de R$ 1.500. Alguém já soube de algum paulistano multado?

O que reforça minha opinião de que, salvo o direito de atualizar a redação de leis que "caducaram", só deveríamos permitir a criação de novas leis no Brasil quando atingíssemos a capacidade de se fazer cumprir pelo menos 50% das leis já existentes. O ideal seria 100%, claro, mas nem eu sou tão sonhador assim...

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Scenes From a Recession

Another amazing episode of the Emmy award-winner radio show This American Life.

Act 1: The decadent elegance of a condo built during the real state frenzy, after the housing market crash.

Act 2: The spy-like operation of FDIC's receivership of a failing bank.

Act 3: The last days of Circuit City in business.

Who listens to it get to find out why there are less shark attacks and more broken teeth after the recession.

http://www.thisamericanlife.org/Radio_Episode.aspx?sched=1289

sexta-feira, 3 de abril de 2009

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Os túneis de Kassab

Kassab começa a mostrar mais sua cara na política de mobilidade urbana: túneis. Dejà-vu?

O que não deu certo no passado pode dar certo agora, não é mesmo?

E o que nunca foi testado a sério por aqui, mas funciona em várias outras metrópoles (BRT, pedágio urbano etc.), não deve ser para nosso bico, mesmo...

* * *
São Paulo, quinta-feira, 2 de abril de 2009

Kassab planeja construir "pacote" de túneis

Obras em quatro pontos da cidade têm custo estimado de R$ 2,5 bi, suficientes para aumentar em 10 km a malha de metrô

Técnicos de transportes criticam as intervenções no sistema viário pelo fato de elas serem prioritariamente voltadas para os carros


ALENCAR IZIDORO
EVANDRO SPINELLI
DA REPORTAGEM LOCAL

A gestão Gilberto Kassab (DEM) planeja construir grandes túneis em pelo menos quatro pontos nobres de São Paulo.
O custo dessas obras -criticadas por técnicos e prioritariamente voltadas para os carros- atinge R$ 2,5 bilhões, equivalente a 10 km de metrô (tamanho da linha 2-verde).
Na zona sul, o plano abrange a extensão subterrânea da av. Roberto Marinho até a rodovia dos Imigrantes, além de túneis para eliminar a intersecção das avenidas Sena Madureira e Domingos de Moraes e também para construir um bulevar na avenida Juscelino Kubitschek.
Essas intervenções criam corredores alternativos de tráfego à av. dos Bandeirantes.
Na zona norte, as obras de Kassab têm o objetivo de ligar as avenidas Cruzeiro do Sul e Engenheiro Caetano Álvares.
A atual gestão, que teme repercussão inicial negativa, trata desses projetos sem alarde. Kassab criticou nos últimos anos a construção dos túneis das avenidas Rebouças e da Cidade Jardim no final da gestão Marta Suplicy (PT), em 2004.
A prefeitura afirma que essas obras estão nos planos para os próximos anos, mas não fixa prazos e incluiu só uma -a da Roberto Marinho, estimada em R$ 1,9 bilhão - em seu programa de metas entregue nesta semana à Câmara Municipal.
Os paulistanos, portanto, não devem se surpreender se, de uma hora para outra, grandes obras em algum desses pontos começarem a ser tocadas.
Isso porque os processos formais de contratação de três dessas quatro obras foram retomados nos últimos três meses pela gestão Kassab. E uma -a do bulevar JK- tem contrato pronto desde os anos 80 e já está até mesmo com preparativos para desvio do tráfego.
A Emurb (Empresa Municipal de Urbanização) começou a fase de licitação dos túneis da Roberto Marinho, Sena Madureira e Cruzeiro do Sul por meio de uma pré-qualificação das empresas interessadas.
Essa é a etapa inicial da concorrência (que demanda, além do tempo dos servidores, gastos do município com trâmites burocráticos), por meio da qual são selecionadas as construtoras em condições técnicas de tocar as obras. A entrega dos envelopes ocorreu em fevereiro e março. Em seguida, haverá a escolha do menor preço.
A construção de grandes obras viárias voltadas aos carros é atacada pela maioria dos especialistas sob a justificativa de que a prioridade deve ser dada ao transporte coletivo.
O engenheiro Jaime Waisman, professor da USP, considera que a parte positiva de intervenções como a da Roberto Marinho é não provocar a concentração de viagens no centro.
Mas ressalva: "Preferia que fosse investido em transporte público"; "são obras voltadas ao automóvel e que não resolvem os problemas do trânsito. Vai até ter impacto, mas limitado".
O especialista Horácio Augusto Figueira considera que túnel voltado aos carros "é jogar uma fortuna no lixo". Ele compara a obra da Sena Madureira ao túnel da Rebouças. "Vai ter congestionamento no semáforo seguinte e até dentro do túnel. É ir na contramão."

URL: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff0204200910.htm