segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Brasil, vanguarda urbanística do mundo

Impecável artigo da sempre ótima Revista Piauí.

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porfólio imaginário

O progresso avança pelo asfalto

O modelo brasileiro de pavimentação fluvial é adotado nos quatro cantos do planeta

Foi-se o tempo em que a imagem do Brasil no exterior era associada a futebol, favelas, lambança, tiroteios e turismo sexual. O país progrediu, distribuiu renda, deixou o estágio degradante de produtor de matéria-prima e hoje é uma referência no combate à dengue e aos desdentados, exportando design, tecnologia, sandálias e pré-sal sem perder a malemolência.

Na gestão das cidades, a proeminência brasileira salta aos olhos. Uma solução urbana bem-sucedida em São Paulo e Belo Horizonte, por exemplo, vem sendo replicada nos quatro cantos do planeta: a cobertura dos rios urbanos com pistas de tráfego, um ovo de Colombo asfáltico que só poderia ter sido achado por conterrâneos de Santos Dumont. Superando preconceitos, a proposta inova ao conciliar a melhoria do trânsito com a requalificação da paisagem urbana, ao mesmo tempo em que faz a alegria de empreiteiros.

Mesmo na Europa, onde o peso nefasto da tradição costuma atravancar o avanço civilizatório, perceberam-se as vantagens da pavimentação fluvial. Paris, Londres, Roma, Veneza e Amsterdã renderam-se ao modelo brasileiro e hoje estão mais limpas e fluidas. As metrópoles de referência evitaram dispendiosos tratamentos dos rios e ampliaram a infraestrutura viária para atender ao aumento constante da frota de veículos - cerca de 900 carros são emplacados por dia em Londres e 600 em Paris. Vale lembrar que políticas de redução de impostos sobre automóveis, em boa hora implantadas com consultoria da equipe econômica do governo Lula, salvaram a grande indústria e garantiram a normalidade das vendas em diversos países europeus.

Adaptar as cidades à realidade hodierna não custa barato. Em Paris, a revitalização de pouco mais de 3 quilômetros do rio Sena custou 350 milhões de euros e levou dois anos para ser executada. Mas abriu dezoito novas pistas de tráfego, o que trará uma melhoria de 35% na velocidade do trânsito. O prefeito Dertrand Belanoe comemorou o sucesso do projeto já pensando no futuro: "A obra trouxe melhorias evidentes, mas não podemos nos acomodar. Temos uma perspectiva continuada de adaptação da infraestrutura urbana para as demandas contemporâneas." O prefeito estuda agora transformar as Tulherias num camelódromo.

Os eternos insatisfeitos de Paris, cidade de protestos e revoluções sanguinolentas, não aceitaram passivamente o avanço. Brandindo o surrado argumento passadista da "importância natural, simbólica e de lazer" do Sena, um grupo de manifestantes desenhou peixes sobre as novas pistas. Em texto divulgado na internet, os neoluditas atacaram: "Falta imaginação aos governantes, que poderiam investir em transporte público, sistemas de bicicletas e veículos compartilhados. O rio limpo se tornaria um atrativo turístico, com barcos, locais para caminhadas e piqueniques."

Para além dos idealismos bucólicos, vê-se que os grandes centros urbanos possuem dinâmicas complexas que demandam soluções arrojadas como as que aqui se apresentam. As novas cidades oferecem ao cidadão conforto, higiene, segurança e privacidade - tudo dentro de seu carro novo. O leitor verá em cada imagem das próximas páginas resíduos da modernidade contemporânea brasileira, e, sentindo o cheiro de asfalto, desenvolvimento, ordem, progresso e gás carbônico, dificilmente conterá o orgulho e a vibração cívica.

URL: http://www.revistapiaui.com.br/edicao_39/artigo_1201/O_progresso_avanca_pelo_asfalto.aspx

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quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Uma no cravo...

... e outra na ferradura!

Comer, rezar, amar   Beber, jogar, f@#er

... e outra na rosa!

A dieta de South Beach   A dieta do Son of a Bitch

... e outra na canela!

The Purpose Driven Life   The Reason Driven Life

... e outra no piano de cauda!

Quem mexeu no meu queijo?   EU mexi no seu queijo

Li apenas um desses livros. Valeu pelos ótimos insultos no rodapé das páginas.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Política e meio ambiente, ontem e hoje (e amanhã?)

O quanto Severn teria que mudar seu discurso se fosse fazê-lo hoje durante a COP 15 em Copenhaguen?

Via Metacafe

Brasil, ontem e hoje (e amanhã?)

Três análises dolorosamente precisas do Brasil atual:
 
Um aspecto a salientar é que todo governo no Brasil ainda é intensamente "personalista". [...] O tamanho do poder em mãos de um presidente brasileiro é relativamente maior do que o poder do presidente dos Estados Unidos, visto que, desde os tempos de Getúlio Vargas, o Congresso nunca conseguiu se contrapor a ele... Embora o presidente dependa do Congresso para a aprovação de leis, a influência do Poder Legislativo na condução da política está viciada pela natureza primitiva da organização dos partidos políticos. Os partidos, apesar das implicações ideológicas de suas denominações, são essencialmente clubes políticos, criados para prover máquinas eleitorais a seus membros; estes, por sua vez, são homens que optaram pela atraente, lucrativa e "suja" carreira política; são frequentemente desprovidos de qualquer compromisso social ou ideológico, ou do sentido de servir à nação. Como consequência, a lealdade partidária é subordinada ao interesse próprio.

A segunda:

O estado [da capital do País] tem mais funcionários públicos do que Nova York; a Petrobras, só em São Paulo, emprega um número maior de químicos do que a Shell no mundo inteiro; pode-se comprar qualquer coisa - de uma carteira de habilitação a um juiz do Supremo Tribunal Federal; o reitor da Universidade Federal do Rio de Janeiro ganha [um salário miserável], enquanto os aluguéis são três vezes mais altos do que em Londres e os hotéis da cidade estão entre os mais caros do mundo (e entre os de pior atendimento); o país tem apenas 18 mil milhas de estradas asfaltadas e [no ano passado] os brasileiros mataram 10 mil pessoas nas estradas - mais do que o total de soldados americanos mortos no Vietnã [...]. Como já escreveu Peter Fleming, "o Brasil é um subcontinente com um autocontrole imperfeito".

E a conclusão fatal:

"Materialmente o país avançou a galope; politicamente marchou para trás. A política de terra arrasada dos coronéis interrompeu o desenvolvimento espiritual de um país potencialmente brilhante."

Eu disse Brasil atual? Quis dizer o Brazil da década de 1960. Na verdade eu quis dizer "Brasil atual" mesmo mas, para os autores dos trechos acima, tratava-se ainda do Brasil dos anos 1960.

Mais no ótimo artigo da Revista Piauí sobre as "cartas de despedida" (valedictory despatches) dos embaixadores britânicos.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Realpolitik

Dois excelentes artigos em inglês publicados traduzidos na Revista Piauí deste mês.

O primeiro lança olhar sobre a incursão americana no Afeganistão, e a dura decisão, tomada ontem por Obama, do aumento do número de tropas no país, a pedido do general McCrystal. Mostra que fácil a conclusão pela retirada das tropas apenas se excluirmos da equação os próprios afegãos.

O segundo faz uma crítica geral e muito bem articulada ao (igênuo) modo Obama de governar e de tomar decisões complexas. Esse trecho é ótimo, e também vejo muito de mim nele:

His way of thinking is close to the spirit of that Enlightenment reasonableness which supposes a right course of action can never be described so as to be understood and not assented to.

Abaixo, os originais:

Stanley McChrystal's Long War
Dexter Filkins
The New York Times Magazine · Vol. 31 No. 20 · 14 October 2009
http://www.nytimes.com/2009/10/18/magazine/18Afghanistan-t.html?pagewanted=all

Obama's Delusion
David Bromwich
London Review of Books · Vol. 31 No. 20 · 22 October 2009 · pages 7-10
http://www.lrb.co.uk/v31/n20/david-bromwich/obamas-delusion

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

The History of "Just Say No"

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Next on Obama's agenda should be just "breathing". Let the stupid die of autoasphyxiation.