quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Segurança Pública e pagamento por resultado

Mensagem
O princípio é interessante, tanto o de premiar a delação efetiva (que resulte em apreensão) quanto o de pagar a polícia "por resultado" (dobrando o prêmio nas operações em que não houver violência).

Como garantir que as armas apreendidas não voltem para as ruas? Corre-se o risco de pagar várias vezes pela apreensão das mesmas armas.

Mas no meio do texto o esquema já ficou parecendo coisa da Amway:

A recompensa é paga em cupons -chamados Top Premium- que podem ser trocados por mercadorias ou serviços na rede de estabelecimentos credenciados.
O "bônus" pela operação bem-sucedida sem violência também é fundamental. Lembremos da "premiação faroeste", ou condecoração por bravura, instituída no governo Marcello Alencar: o critério básico de distinção era o números de bandidos mortos em ações policiais.
 
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São Paulo, sábado, 2 de agosto de 2008
 
Apreensão de fuzil rende 2 meses de salário a PM do Rio

Instituído pelo Disque-Denúncia dentro do programa Desarme o Bandido, prêmio vale para fuzil, metralhadora ou submetralhadora

Policial tem direito a R$ 1.000, mas valor pode dobrar; quem ligar para o serviço indicando a localização também recebe R$ 1.000

FÁBIO GRELLET
DA SUCURSAL DO RIO

Um soldado da Policia Militar do Rio ganha por mês salário inicial bruto de R$ 909,49, mas, se apreender um fuzil, uma metralhadora ou uma submetralhadora, pode receber de uma só vez até R$ 2.000 -mais de duas vezes o próprio salário.
O prêmio foi instituído no mês passado pelo serviço Disque-Denúncia como parte do programa Desarme o Bandido. Quem ligar para o serviço indicando a localização de qualquer dessas armas também é recompensado: recebe R$ 1.000, desde que a denúncia resulte na apreensão do equipamento.
O policial que localizar e apreender qualquer dessas armas tem direito a R$ 1.000, independentemente das condições em que a apreensão ocorrer. Mas o prêmio pode dobrar se atendidos três requisitos: a apreensão for conseqüência de um aviso apresentado ao Disque-Denúncia, a operação for divulgada pela imprensa e não houver violência. Em todos os casos, o prêmio depende da confirmação, por meio de perícia, de que a arma esteja em condição de uso.
A recompensa é paga em cupons -chamados Top Premium- que podem ser trocados por mercadorias ou serviços na rede de estabelecimentos credenciados.

Mais apreensões
A premiação multiplicou a apreensão de armas: em julho, primeiro mês da campanha, foram localizadas dez armas. Em todo o primeiro semestre haviam sido 19, média de 3,1 por mês. Em 2007 haviam ocorrido 17 apreensões. Nessa época, o prêmio de R$ 1.000 aos denunciantes já existia, mas a polícia não recebia recompensa nenhuma.
Das dez apreensões de julho, três tiveram origem em denúncias anônimas e outras sete foram localizadas por policiais sem auxílio de ninguém.
"Vamos pagar R$ 16 mil pelo resultado de julho", afirma Zeca Borges, coordenador do Disque-Denúncia. Desse valor -que, segundo Borges, será entregue até 10 de agosto-, R$ 13 mil caberão a policiais e R$ 3.000 a autores de denúncias.
Para entregar os prêmios sem identificar o autor da acusação, como é regra no Disque-Denúncia, serão agendados encontros em lugares de grande movimento, como shoppings e agências bancárias. "Qualquer técnica para identificar a pessoa sem precisar saber seu nome será válida: usar senha, avisar a roupa que a pessoa estará vestindo, coisas assim", diz.

"Caçadores"
Não são apenas armas que rendem recompensas oferecidas pelo Disque-Denúncia. Informações que levem à prisão de Antônio de Souza Ferreira, o Tota, apontado pela polícia como o chefe do tráfico no complexo do Alemão, valem R$ 10 mil. E até um balão pode render de R$ 300 a R$ 1.000. O dinheiro é doado por particulares. O serviço já chegou a oferecer R$ 100 mil pela captura de Fernandinho Beira-Mar, mas ninguém fez jus a esse valor.
"Quando entregamos o prêmio, aconselhamos as pessoas a não virarem caçadoras de recompensas", afirma Borges. "E, como não queremos que alguém substitua o trabalho da polícia, ninguém pode levar a arma diretamente à polícia. É preciso ligar para nós, para que a gente acione os policiais."
No mercado ilegal do Rio um fuzil vale até R$ 30 mil, estima o governo. Mas o coordenador do Disque-Denúncia não teme que alguém prefira comercializar as armas com bandidos. "Não podemos pensar dessa forma. Não vamos negociar com bandidos, mas sim premiar pessoas honestas."

Um comentário:

  1. Marcos Pó12:26 PM

    Sei lá, pode funcionar bem, mas esse tipo de coisa sempre me traz à mente os caras que passaram a criar ratos quando as autoridades começaram a pagar por roedor morto para evitar a peste.

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