segunda-feira, 18 de maio de 2009

Último adiós a Mario Benedetti

Para Elisa adicionar a seu caderno de poemas (se ainda não tiver).

Despabílate amor

Bonjour buon giorno guten morgen,
despabílate amor y toma nota,
sólo en el tercer mundo
mueren cuarenta mil niños por día,
en el plácido cielo despejado
flotan los bombarderos y los buitres,
cuatro millones tienen sida
la codicia depila la amazonia.

Buenos días good morning despabílate,
en los ordenadores de la abuela ONU
no caben más cadáveres de Ruanda
los fundamentalistas degüellan a extranjeros,
predica el papa contra los condones,
Havelange estrangula a Maradona
bonjour monsieur le maire
forza Italia buon giorno
guten morgen ernst junger
opus dei buenos días
good morning Hiroshima.

Despabílate amor,
que el horror amanece.

(M. Benedetti, 1920--2009)

quarta-feira, 13 de maio de 2009

O escândalo das despesas dos parlamentares

A história todos nós sabemos:
  • Parlamentares usando o dinheiro público para o reembolso de despesas privadas
  • Escândalo envolvendo desde líderes até membros do "baixo clero"
  • Luta dos parlamentares para manter secretos os dados relativos aos reembolsos
  • Aumento do descrédito dos parlamentares entre a população
  • Em reação, alguns parlamentares culpam a mídia por tê-los exposto ao vexatório público ("shoot the messenger!")
  • Outros parlamentares argumentam que apenas seguiam as regras da casa
  • Outros, ainda, recordam que seus salários são baixos em comparação com parlamentares dos EUA e de outros países
Ah, um detalhe que esqueci de contar: isso aconteceu no Reino Unido.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

What goes around ...

What Goes Around Comes Around poster for Global Coalition for Peacehttp://www.globalcoalitionforpeace.org/


... comes around.

What Goes Around Comes Around poster for Global Coalition for Peacehttp://www.globalcoalitionforpeace.org/

(criação: Big Ant International)

Vive la France!

Economist.com

Leisure time

Bon vivant

May 11th 2009
From Economist.com

Where people spend most time on simple pleasures

ENJOYING a leisurely meal or just getting enough sleep can seem like luxuries. But not so in France, where people spend more time dining, imbibing and snoozing than anywhere else in the mostly-rich countries of the OECD. Americans also get a lot of shut-eye, but (fond of fast food) probably suffer indigestion along with neighbouring Mexicans and Canadians. South Koreans and Japanese reportedly survive on an hour's less sleep than the French.

Shutterstock

URL: http://www.economist.com/daily/news/displaystory.cfm?story_id=13635801

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Voto em lista fechada

Tenho opiniões conflitantes sobre o assunto. Há argumentos positivos e negativos para cada uma delas.

Concordo com Jairo Nicolau quando diz que, não importa o modelo institucional usado (lista fechada ou aberta, voto facultativo ou obrigatório, parlamentarismo ou presidencialismo): se não se alterarmos o padrão ético das pessoas que "operam o sistema", o resultado será sempre desastroso.

Há desenhos institucionais específicos que ajudam e outros que atrapalham os objetivos almejados, mas não há um modelo único que todos os países devessem seguir para alcançar um "resultado ótimo". Há variação institucional suficiente (bons e maus países presidencialistas, parlamentaristas, monarquistas, republicanos etc.) para refutar essa idéia de "desenho institucional ótimo".

No fundo, concordo com a conclusão de Clóvis Rossi no artigo abaixo: a bola está conosco (nós, eleitores).

* * *


São Paulo, sexta-feira, 8 de maio de 2009


CLÓVIS ROSSI

A lista e a civilização

SÃO PAULO - São pobres e completamente divorciados dos fatos os argumentos até aqui usados para vetar o voto em lista fechada, o aspecto talvez mais chamativo da reforma política ora no noticiário. O principal argumento é o de que com o voto em lista o eleitor perde o direito de escolher o seu candidato em benefício da cúpula dos partidos. Já é assim. Quem na prática escolhe quem é candidato é a direção de cada partido.
Com o voto em lista, muda uma única coisa: passa a haver uma ordem de candidatos. Os mais votados entram. Ou seja, vetar o voto em lista significa simplesmente discutir o periférico (a ordem na lista) em vez do essencial (quem determina quem é candidato).
Fato 2 - Todos os protagonistas dos escândalos recentes, remotos ou dos que fatalmente ainda surgirão são filhos do voto nominal. Todos. Pode piorar com o voto em lista? Pode. No Brasil, até o péssimo pode ser piorado, sempre. Mas, convenhamos, será preciso um esforço fenomenal.
Fato 3 - Em boa parte do mundo civilizado, prevalece o voto em lista fechada. Em alguns casos (Alemanha, por exemplo), o sistema é misto: alguns se elegem pela lista do partido, outros, nominalmente (mas sempre indicados por um partido).
Vetar o voto em lista é aceitar implicitamente que o Brasil não é civilizado nem jamais o será. Até concordo, mas me recuso a endossar uma jabuticaba podre (o sistema atual, já testado e reprovado) só para vetar um modelo novo. Mas quem ensinou verdadeiramente o caminho das pedras de qualquer reforma foi o deputado Sérgio Moraes (PTB-RS), aquele que "se lixa" para a opinião pública. "Vocês [a mídia] batem, mas a gente se reelege", afirmou.
Pois é, enquanto o eleitorado não sofrer um choque de civilização e de informação, não haverá sistema eleitoral que funcione.

crossi@uol.com.br

URL: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz0805200903.htm

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Califórnia na contramão da história

Vai ser bastante irônico se a liberal Califórnia for o último estado americano a (re)aprovar, depois de ter sido o último a constitucionalmente banir...

* * *
São Paulo, quinta-feira, 7 de maio de 2009

CASAMENTO GAY

Mais dois Estados aprovam união homossexual nos EUA

DA REDAÇÃO

Os Poderes Legislativos dos Estados do Maine e de New Hampshire, vizinhos no extremo nordeste dos EUA, aprovaram ontem projetos de lei que legalizam o casamento gay.
Em Maine, o governador sancionou a lei, que ainda aguarda a assinatura do dirigente de New Hampshire.
Outros quatro Estados já haviam aprovado a união de pessoas do mesmo sexo. No mês passado, Iowa e Vermont autorizaram o procedimento, seguindo decisões anteriores de Connecticut e Massachussets.
Também a cidade de Washington, capital do país, aprovou o casamento gay nesta semana --como se trata da capital federal, a decisão ainda precisa ser confirmada pelo Congresso dos EUA para ter validade.
Apesar de sancionada pelo governador, a lei no Maine ainda tem que esperar um prazo e uma possibilidade de questionamento popular para entrar em vigência.
Em tese, ela passa a vigorar 90 dias depois do encerramento do atual ano legislativo, em junho. A decisão, no entanto, pode ser questionada se grupos contrários conseguirem 55 mil assinaturas para provocar um referendo sobre o tema.

URL: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mundo/ft0705200911.htm

quarta-feira, 6 de maio de 2009

World's most reputable companies

Impressionantes as posições da Petrobras e da Sadia!

(sobretudo da Petrobras, numa época tão ecologicamente correta...)

* * *

Economist.com



Most-respected businesses

Good company
May 6th 2009
From Economist.com


Which companies have the best reputations around the world?

FERRERO, an Italian chocolate-maker, has come out top in an annual survey of the world's most reputable companies. Based on perceptions of the companies in their home markets, the Reputation Institute, a research firm, has asked the public to rate the world's 600 largest firms according to trust, admiration and respect, good feeling and overall esteem. Despite the economic turmoil, respect for business is still generally quite high. But some sectors have suffered. Banks and other financial institutions, which commanded reasonable repect in years gone by, have slipped alarmingly, though they still do better than tobacco companies.

Photo by Tarek Moustafa
Photo by Tarek Moustafa

URL: http://www.economist.com/daily/news/displaystory.cfm?story_id=13569055

Eleições: quem paga a conta?

[...] Obama, o vencedor, teve cerca de 3,5 milhões de doadores diferentes. Desses, pelos menos 2,5 milhões deram quantias inferiores a US$ 200 cada um. Como comparação, ao ser reeleito presidente em 2006, o petista Lula teve 1.319 doadores (e 1.634 doações). O tucano José Serra ganhou o governo de São Paulo com apenas 55 doadores diferentes.

Não acho um "despautério" o financiamento público de campanha, como afirma Fernando Rodrigues no final do ótimo op-ed abaixo (talvez ele estivesse se referindo ao financiamento exclusivamente público). Aliás, mesmo nos EUA se discute o "rabo preso" dos políticos com grandes doadores.

A estratégia de Obama de buscar a pulverização das doações de campanha e, eleito, de evitar a contratação de lobistas para cargos de confiança na Casa Branca, reduziu parte considerável do poder de barganha desses grandes grupos de interesse organizados que marcaram a Era Bush.

Ainda assim, o espectro do interesse privado prevalecendo sobre o interesse público ainda sobrevoa a política americana, da nacional à local -- quando estava em Austin, a desconfiança da população sobre a influência de empreiteiros nas decisões de desenvolvimento urbano do City Council daria inveja a qualquer paulistano diante dos descalabros da nossa Câmara de Vereadores.

Antes de responder "quem paga a conta?", é preciso se perguntar por que as eleições brasileiras são tão caras, absoluta e comparativamente falando. ¹ ²

Enquanto não tivermos um mínimo de demonstração de bons tratos com o dinheiro público por nossos políticos, será impossível para o Brasil conceber doações eleitorais individuais de seus eleitores alla Obama.

¹ "Real-politik: Why elections, even to lowly office, are so expensive", The Economist, 25/9/2008. (Link)
² SAMUELS, D. (2001). Money, Elections, and Democracy in Brazil.
Latin American Politics & Society, 43(2): 27–48, Jun/2001. (Link1, Link2)

* * *


São Paulo, quarta-feira, 6 de maio de 2009


FERNANDO RODRIGUES

Preguiça cívica

BRASÍLIA - Uma característica marcante da eleição presidencial dos Estados Unidos no ano passado foi a insistência diária dos candidatos pedindo dinheiro. Na TV, rádio e internet, Barack Obama e John McCain quase imploravam por doações. Receberam muito.
O democrata Obama, o vencedor, teve cerca de 3,5 milhões de doadores diferentes. Desses, pelos menos 2,5 milhões deram quantias inferiores a US$ 200 cada um. Como comparação, ao ser reeleito presidente em 2006, o petista Lula teve 1.319 doadores (e 1.634 doações). O tucano José Serra ganhou o governo de São Paulo com apenas 55 doadores diferentes. Os dados são oficiais, do TSE.
Nesta semana, a Folha revelou que as empresas doadoras de campanha têm depositado vigorosamente nas contas bancárias dos partidos políticos. Ocultam assim os nomes dos candidatos receptores de recursos na ponta final.
O TSE pretende apertar os controles. Nenhum partido considerou positiva a iniciativa da Justiça Eleitoral. Querem opacidade nas contas de campanha.
Não ocorre a nenhuma agremiação política ajudar a criar uma cultura da doação financeira durante os períodos eleitorais. Trata-se de uma forma clássica de incentivar a participação dos cidadãos na vida partidária. Quem doa R$ 10 ou R$ 20 a uma legenda ou candidato fica comprometido. Cobrará responsabilidade dos eleitos.
Aí está o problema. Os políticos querem distância dos eleitores interessados em cobrar promessas.
Poucos -se é que ainda existe algum- tampouco teriam coragem de aparecer em público pedindo dinheiro para suas campanhas. O mais fácil é se acomodar na habitual preguiça cívica. Defender o financiamento público exclusivo e, enquanto não cola esse novo despautério, receber dinheiro camuflado por meio dos partidos políticos.

frodriguesbsb@uol.com.br

URL: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz0605200904.htm

It's true. Wikipedia said so!

Student edits Wikipedia entry to prove journalists use the Internet as a primary source. BBC (BBC Music Magazine website), The Guardian, The Independent and others caught red-handed.

Interesting (and alarming) social experiment!

Student's Wikipedia hoax quote used worldwide in newspaper obituaries
GENEVIEVE CARBERY  |  Irish Times  |  Wednesday, May 6, 2009
http://www.irishtimes.com/newspaper/ireland/2009/0506/1224245992919.html

sábado, 2 de maio de 2009

On Corruption

The corruption-mongers of state finance capitalism are working hand-in-glove with the creatively destructive robber barons and fixers of emerging and failing states. The former decry the latter for their crude and blatant corruption and nepotism all the while they wheel and deal with them.

Ensaio interessante sobre a corrupção nos EUA.

Baixo crescimento econômico prolongado estimula condutas tipo “rent seeking” (e vice-versa), diferenças culturais explicam porque “corrupção” para alguns é apenas um inocente “favor” para outros, e a ausência ou baixa eficiência de certas instituições (rule of law, Judiciário independente e ágil etc.) estimulam condutas consideradas anti-éticas.

Mas o texto abaixo não nos deixa esquecer que corrupção também é uma característica presente (e historicamente marcante) nos países “ricos, limpinhos e educados”.

Enron e Wall Street que o digam.

On Corruption
A Feast of Vultures
By Arno J. Mayer  |  Counterpunch  |  February 4, 2009
http://www.counterpunch.org/mayer02042009.html