terça-feira, 7 de outubro de 2008

Imagens da crise (5)

BBC
Company logos

THE CASUALTIES: As the global financial crisis has worsened, the number of
firms to crumble or be bought out has increased.

URL: http://news.bbc.co.uk/2/hi/business/7644238.stm

Imagens da crise (4)

Ok, não é "imagem" per se, mas é um "retrato da crise em áudio".

Há um ótimo programa de rádio semanal nos EUA chamado This American Life. O programa é produzido pela Chicago Public Radio em parceria com a PRI (Public Radio International). Recentemente eles dedicaram três episódios à crise financeira americana, contando-a nos mínimos detalhes, e de maneira extremamente amigável (dois deles exclusivamente sobre isso, e em outro --"Enforcers"-- eles começam com uma divertida porém cruel história sobre os "Nigerian scams", aqueles golpes financeiros pela Internet).

Os episódios sobre a crise financeira são os seguintes:
Pode-se ouvi-los gratuitamente online, ou pagar 90¢ (cada) para baixá-los em .mp3. Duram cerca de uma hora cada.

Estes três episódios foram produzidos em parceria com a NPR (National Public Radio), a melhor rádio que já ouvi na vida. This American Life é um programa da maior qualidade: no mês passado eles ganharam dois Emmys: Outstanding Nonfiction Series e Outstanding Directing for Nonfiction Programming.

Imagens da crise (3)

AP Photo/M. Spencer Green
http://nimg.sulekha.com/Others/original700/2008-10-2-1-47-22-cfdb7029ddc34df6bf40db21e69a3211-cfdb7029ddc34df6bf40db21e69a3211-2.jpg

A statuette of Homer Simpson screaming sits on a work station in the S&P 500 futures trading pit Monday, Sept. 29, 2008, at the CME Group trading floor in Chicago. Fear swept across the financial markets Monday, sending the Dow Jones industrials down as much as 705 points, after the government's financial bailout package failed the House.

URL: http://newshopper.sulekha.com/photos/slideshow/453254.htm

Imagens da crise (2)

Imagens da crise (1)

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Caution: Obama ahead

Registration Gains Favor Democrats
Voter Rolls Swelling in Key States; Obama ahead 5.9% (average) and leading in Ohio, Virginia, North Carolina
By Alec MacGillis and Alice Crites  |  Washington Post Staff Writers  |  Monday, October 6, 2008; A01
http://www.washingtonpost.com/wp-dyn/content/article/2008/10/05/AR2008100502524.html

A notícia é animadora mas...
 
Os novos registros são realmente maciçamente pró-Obama, e acho que quem se registra este ano é porque realmente quer votar. O problema é que, numa eleição em que no máximo 60% da população comparece às urnas, quem vai decidir a eleição são os 40% que custumeiramente ficam em casa (ou trabalham, já que lá as eleições acontecem em dias úteis). No caso de uma avalanche pró-Obama nas pesquisas, aqueles mais conservadores, racistas ou fundamentalistas (que temem um "presidente não-americano e muçulmano") podem ficar motivados a votar este ano, e se tornarem o fiel da balança.
 
Outro desafio é o da precisão das pesquisas eleitorais. Ótima edição da New York Magazine sobre a questão racial na campanha, de começo de agosto, fala da dificuldade de capturar o fator "raça" na escolha dos eleitores. Uma técnica interessante é a da pergunta indireta, como eles bem explicam:

The question is just how accurate any of these numbers are. Polling on African-American candidates has often been unreliable in the past, overstating support for them, coughing up large blocs of alleged undecideds who actually have no intention of voting for a black contender but are too embarrassed to say so. "I know a lot of Republicans who are aware of surveys in this race that ask the ballot question 'Who are you voting for?' and then ask the 'Who are your neighbors voting for?' question," says a GOP operative, referring to a common pollsters' tactic of seeing through obfuscation revolving around race. "And between the first and second question, you see a five-to-ten-point shift in the answers. There's a great big lump under the rug." (The Color-Coded Campaign)

Eles estão preocupados com o chamado "Bradley effect", em homenagem ao ex-prefeito negro de Los Angeles, Tom Bradley. Em 1982, ele perdeu a disputa do governo da Califórnia apesar de estar à frente nas pesquisas. Essa é uma distorção comum nas pesquisas nos EUA quando há candidato negro concorrendo com um branco.
 
Outra questão que costuma ser subdimensionada é o registration purging, ou seja, os eleitores cujos registros são apagados do sistema (por motivos vários). Na eleição de 2004, em Ohio um número suficientemente grande de registros pró-Kerry foi apagado a ponto de garantir a reeleição a Bush. Artigo extenso da Rolling Stone, escrito por Robert F. Kennedy Jr., dá indícios bastante forte de que isso tenha sido deliberado, e em vários estados. Nas eleições de 2000, Michael Moore apresentou, no livro Dude, Where's My Country?, dados contundentes de que a mesma coisa teria acontecido na Flórida -- que foi o estado fiel da balança naquelas eleições. Sim, eu sei, é o Michael Moore. Mas ele colocou o link para todas as matérias e dados a que ele se refere. Li o livro e achei que ele "has a point".
 
A NYMag arrisca dizer que, caso Obama não esteja pelo menos 10 pontos à frente de McCain na semana do pleito, suas chances reais não são nada boas. Obama ainda está mais longe da Casa Branca do que se supõe.

Pior: vencer as eleições é apenas a primeira etapa. Conseguir sobreviver aos quatro (ou oito) anos de mandato é a segunda, e talvez a mais difícil. Num país com uma quantidade inacreditável de desajustados com fácil acesso a armas de fogo, e que já assassinou quatro de seus presidentes (Abraham Lincoln, James Garfield, William McKinley e John F. Kennedy), muita gente acha que a vida de um Presidente Obama (soa bonito, não?!) correria perigo constante.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Voto consciente

Se ainda não definiram seu candidato para vereador, dois recursos para pesquisa:

1) Lista do TRE-SP (para pegar o número, tão somente)

http://www.tre-sp.gov.br/noticias/textos2008/listaoficial.pdf

2) Movimento Voto Consciente - Avaliação do Trabalho dos Vereadores

Na 14ª Legislatura: http://www.votoconsciente.org.br/index.php?option=com_content&task=view&id=292&Itemid=61

Na 13ª Legislatura: http://www.votoconsciente.org.br/index.php?option=com_remository&Itemid=78&func=fileinfo&id=24

Lembrando que esse ranking também tem suas limitações. Tem uma análise qualitativa muito mais difícil de se fazer, que "presença em comissões", "presença em votações em plenária" etc. simplesmente não consegue capturar. Mas é um grande avanço, sem dúvida.

* * *

Adicionei o da 13ª legislatura pois lá também tem bons nomes que, ainda assim, não foram reeleitos. É o caso do Nabil Bonduki, que foi considerado o 2º melhor vereador na 13ª legislatura pelo Movimento Voto Consciente. Por que não foi reeleito, então? Talvez justamente por causa disso. Como pensa a cidade como um todo, em vez de se concentrar num "curral eleitoral",* ele contava com as votações espalhadas pela cidade. Isso não é páreo para a "velha política". Sorte minha, o Nabil resolveu tentar mais uma vez.

Não vou colocar seu número, pois meu intuito --sinceramente-- não é fazer propaganda de um candidato específico, mas colocar alguns critérios para suas considerações -- entre elas, o de que nem sempre o bom trabalho chega à superfície (fosse assim, a cidade e o País estariam muito melhores). O mais importante, friso, é votar consciente. E saber que o trabalho não termina na urna, apenas começa.

Depois do pleito, temos que aprender a cobrar dos nossos representantes. Minha experiência no assunto é de que eles são muito mais responsivos às minhas reclamações do que eu pensava que fossem. Talvez porque tão poucos cobram, eles tomam aqueles como representantes da vontade de todo seu eleitorado, sei lá.

* Update: jP conta que um amigo fez um estudo dos vereadores eleitos em São Paulo e concluiu que apenas uma parte deles - e não muito grande - tem forte dependência a uma única região, e que a grande maioria se elege com votos bastante espalhados pela cidade. Se for isso mesmo, estou surpreso. Tradicionalmente a indicação para subprefeito (antes, coordenador de Administração Regional) seguia exatamente essa lógica de "currais eleitorais" dos vereadores, de maneira que o prefeito conseguia manter maiorias estáveis na Câmara. Cada vereador "adotava" uma subprefeitura/regional. Parece que isso tem mudado mais recentemente, mas não creio que os 54 vereadores eleitos tenham tido recursos suficientes para fazer campanha em toda a cidade. Acho mais provável que os partidos tenham elegido dois ou três "puxadores de votos", e os restantes tenham sido eleitos com as "sobras eleitorais" (os votos acima do quociente eleitoral dos vereadores mais votados).

XDR-TB: Spread the story. Stop the disease.



http://www.xdrtb.org/

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

The Shawshank Redemption

Que vergonha... Está na hora de uma nova CPI do sistema prisional. Ainda tem muito esqueleto enterrado aí!

O diretor de uma das prisões afirma que um engenheiro da CPOS, chamado "Valverde", apontou e anotou em documento próprio as "distorções que encontrava". Resultado: foi transferido para outra obra.
A CPOS fez vistas grossas e até tentou esconder as irregularidades, segundo a Administração Penitenciária, que já havia fotografado partes subterrâneas da obra para desmentir a versão da estatal.

A área de obras parece ser o gerador de "caixa 2" de muitos governos, sejam eles psdbistas, petistas, malufistas ou de qualquer outro partido. Um governante sério teria que colocar sua pessoa de maior confiança lá.

* * *
São Paulo, quinta-feira, 2 de outubro de 2008

SP tem prisão de concreto "oco" e muro frágil

Presídios foram feitos na gestão Alckmin em desacordo com projeto; concreto é facilmente escavável, diz relatório do governo


Prisões foram feitas pela DM Construtora por R$ 25,5 mi; obras foram vistoriadas pela estatal CPOS (Companhia Paulista de Obras e Serviços)

JOSÉ ERNESTO CREDENDIO
MARIO CESAR CARVALHO
DA REPORTAGEM LOCAL

Em dezembro de 2006, 21 presos fugiram de uma das penitenciárias de segurança máxima de Lavínia, que abrigava integrantes do segundo escalão da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital). Não houve, porém, nada de espetacular na fuga. Os presos cavaram um túnel e escaparam. Uma vistoria na obra apontou as razões da fuga fácil.
A muralha não tinha os dois metros de profundidade previstos no projeto. As placas de aço projetadas para vedar as celas também não existiam.
De segurança máxima, a penitenciária só tinha o nome, segundo relatório da Secretaria de Administração Penitenciária ao qual a Folha teve acesso.
A supressão da muralha subterrânea e de placas de aço de 8 mm do chão das celas ocorreu em duas penitenciárias ditas de segurança máxima da cidade, a 600 km de São Paulo. As duas comportam 1.536 detentos.
Não são as únicas irregularidades nas obras. O chão das celas ainda deveria ser protegido por uma camada de 30 cm de pedras do tipo rachão, maiores do que as de brita, para evitar túneis. A medida de segurança foi suprimida na obra.
O teto das celas é de concreto "alveolar", que é oco. Facilmente escavável, a laje revelou-se um ótimo esconderijo para celulares e drogas, conforme dizem os próprios diretores da prisão. O concreto alveolar também foi usado na muralha, segundo a secretaria.
Esse tipo de laje, inadequado para prisões, foi usada em seis presídios de segurança máxima do Estado, "gerando perplexidade" na equipe do Departamento de Engenharia da secretaria, conforme o relatório. Além dos de Lavínia, essa tecnologia foi empregada em Guareí e Balbinos -cada cidade abriga duas prisões desse tipo.
O que chama atenção no relatório oficial é que não houve aditivo ao contrato que permitisse suprimir a muralha. E foi permitido não instalar as placas de aço e trocar o tipo de concreto sem que o valor fosse caísse. Ao contrário, subiu 5%.
Por causa das falhas, o governo de José Serra (PSDB) cogitou até fechar os dois presídios. Preferiu, porém, desativar parte dos dois presídios e transferiu os presos mais perigosos.
Os presídios de Lavínia foram inaugurados em janeiro de 2006, no governo de Geraldo Alckmin (PSDB). Ele cita a expansão do sistema prisional como uma das grandes realizações de seu governo. Alckmin não quis se pronunciar.
As duas prisões foram feitas pela DM Construtora, do Paraná, por R$ 25,5 milhões. As obras foram vistoriadas pela estatal CPOS (Companhia Paulista de Obras e Serviços).
O diretor de uma das prisões afirma que um engenheiro da CPOS, chamado "Valverde", apontou e anotou em documento próprio as "distorções que encontrava". Resultado: foi transferido para outra obra.
A CPOS fez vistas grossas e até tentou esconder as irregularidades, segundo a Administração Penitenciária, que já havia fotografado partes subterrâneas da obra para desmentir a versão da estatal.
As irregularidades são tantas que o secretário de Administração Penitenciária, Antonio Ferreira Pinto, levou o caso ao TCE (Tribunal de Contas do Estado) e ao Ministério Público.
Nos documentos, Ferreira Pinto diz: "Lamentavelmente, os presídios são vulneráveis, e só se evidenciou a manipulação de alguns itens essenciais à segurança após visita realizada em agosto de 2007", quando ele vistoriou as obras.
O relatório, sem citar valores, não economiza expressões como "graves conseqüências ao erário e à segurança" e "inúmeras irregularidades".
As falhas, porém, eram apontadas desde 2005. Em dezembro daquele ano, quando as obras foram finalizadas, o diretor do presídio, Eduardo Martins, diz ter constatado que havia "falhas estruturais".
Martins diz que informou as falhas ao secretário da Administração Penitenciária à época, Nagashi Furukawa.

URL: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff0210200801.htm

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Lula of Brazil

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Para biógrafo inglês, Lula avançou economia, mas fracassa na educação
 
 
 
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva faz gesto após votar em 2006 (arquivo)
Presidente conta com índice de 83% de aprovação popular
O governo de Luiz Inácio Lula da Silva, "um dos presidentes mais significativos" da história do Brasil no século 20, caminha também para ser "um fracasso na educação", na opinião do pesquisador britânico Richard Bourne, autor de um livro sobre Lula.

Lula of Brazil (Zed Books, Londres e Nova York), biografia política do ex-metalúrgico eleito e reeleito presidente, compila para o leitor do inglês os avanços e dificuldades do atual governo. O lançamento da obra, nesta terça-feira em Londres, vem a tempo de jogar uma luz sobre as razões que levam a popularidade de Lula a níveis recordes de 80%.

"Lula domina completamente a cena política no país. Ricos e pobres acham que Lula é uma pessoa que cuida do país", avalia Bourne, ex-jornalista do The Guardian, hoje pesquisador sênior do Institute of Commonwealth Studies, em Londres.

Bourne não esconde a simpatia que sempre nutriu por Lula desde que o ex-metalúrgico se destacou no sindicalismo nos anos 1980 – ou, a rigor, não esconde a simpatia pelo Brasil. Diz que "deixou seu coração" no país quando desembarcou pela primeira vez no Rio, em 1965. É autor de um livro sobre Getúlio Vargas e outros sobre líderes latino-americanos.

Nesta entrevista à BBC Brasil, o pesquisador faz uma avaliação dos altos e baixos do governo. Sublinha avanços no combate à pobreza e na política externa. Mas não deixa de criticar com severidade o que chama de "fracassos" no impulso à educação e em relação à esperança de fundar no Brasil "um tipo mais ético de política".

[Leia a entrevista completa]