segunda-feira, 7 de julho de 2008
sexta-feira, 4 de julho de 2008
Lei Seca
Alguns bares de São Paulo criaram alternativas para não perderem movimento após a lei seca. Os estabelecimentos da rede Biroska, na rua Canuto do Val (Santa Cecília, região central), contam com bafômetros para que os fregueses confiram se não correm riscos de serem multados, perderem a carteira de habilitação ou acabarem a noite na delegacia.
Desde ontem, a rede tem também dois carros que levam clientes para casa, de graça.
No Bar Central, em Moema (zona sul), a estratégia foi cadastrar taxistas que cobrarão bandeira um (mais barata) mesmo à noite e de madrugada.
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Há muitas outras por aí: nos EUA, por exemplo, foi criado um novo conceito social, o do "motorista designado" (para não beber e dirigir), após massiva campanha iniciada em 1998. Não é apenas um dos amigos que é eleito para "ficar careta" durante a balada e levar os demais para casa. Foi criada, por exemplo, a Designated Drivers Association, um serviço voluntário de residentes locais que se dispõem a levar os motoristas "sob influência" (de álcool ou drogas) para casa.
PS: Tem apelido pior do que "lei seca"? Quem criou esse apelido ou é muito ignorante (não tem nada a ver com a "lei seca" dos EUA dos anos 1920), ou tinha a intenção explícita de desmoralizar essa lei (já que vivemos em um país no qual certas leis "não pegam"). Não se proibiu ou restringiu o comércio de bebidas, apenas diminuiu-se a tolerância para se dirigir embriagado. Quem volta de ônibus, táxi ou carona, pode continuar bebendo até morrer (ou matar)!
terça-feira, 1 de julho de 2008
Política no cinema
Com o sociólogo Luiz Eduardo Soares, [José Padilha] escreve o roteiro de "Nunca Antes na História deste País", que, segundo ele, "relata a política na sua interação com os empresários, a mídia, os artistas, a segurança pública".[Leia mais]
Considerando que o cineasta Fernando Meirelles anunciou, no ano passado, a intenção de fazer um documentário sobre o Congresso Nacional, e que o montador Felipe Lacerda ("Ônibus 174", "Central do Brasil") finaliza o documentário "Fazendo Política", sobre os meandros da atividade, Padilha avalia que o Brasil tem "uma safra de filmes a respeito da elite vindo aí".
Na opinião do cineasta, "o cinema brasileiro está pronto para começar a discutir essas coisas outras [que a miséria]".
Meirelles reafirma sua intenção de abordar a política brasileira num filme, mas diz que o projeto ainda não tem data para sair do papel.
Se for qualquer coisa no nível do Vocação do Poder, ótimo documentário de Eduardo Escorel sobre os candidatos de primeira viagem à Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro, ficarei muito feliz.
sexta-feira, 27 de junho de 2008
O abraço
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São Paulo, sexta-feira, 27 de junho de 2008
ELIANE CANTANHÊDE
O abraço
BRASÍLIA - Mortes quase sempre geram muita tristeza, tréguas e pausas para pensar, mesmo nas mais conflagradas famílias. Foi o que a morte de Ruth Cardoso produziu, deixando como marca uma foto emocionante sob o ponto de vista humano e emblemática sob o político: a do abraço, em lágrimas, do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e de seu sucessor, Luiz Inácio Lula da Silva.
Um abraço de velhos companheiros, não de atuais adversários, e que não vai mudar a política em nada (principalmente diante das eleições municipais), mas mexeu com corações endurecidos e partidarismos inflexíveis no PT e no PSDB.
Aliados nos tempos do inimigo comum, a ditadura militar, FHC, Lula e seus respectivos grupos e partidos se distanciaram basicamente por diferenças de táticas políticas e de estratégia, aprofundadas ao longo do tempo pela disputa de poder. De aliados passaram a adversários e chegaram a inimigos, capazes de se ferirem cruelmente.
FHC e Lula são o que há de melhor na política brasileira, pela capacidade intelectual de um, a perspicácia do outro, a liderança e a excepcionalidade de ambos. FHC fincou as bases em praticamente todas as áreas para um país muito melhor do que encontrara oito anos antes. Lula pegou o bonde e acelerou.
Os avanços na economia e na gestão, porém, não refletiram em melhorias na prática política nem no refluxo nos escândalos. Os dois, entrincheirados em seus partidos e reféns de suas alianças, conviveram com erros bem parecidos. Mas é justamente por esses erros que se matam uns aos outros. O sujo falando do mal lavado. A diferença é que Lula e os petistas foram implacáveis contra FHC e os tucanos no poder, mas não suportam provar do próprio veneno. Virou uma guerra.
E, se o Brasil bateu no seu teto político com FHC e Lula, o que virá depois? A foto do abraço, tão forte, contundente, remete ao passado, mas não projeta o futuro.
elianec@uol.com.br
URL: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz2706200804.htm
quinta-feira, 26 de junho de 2008
Ruth Cardoso, editorial da Folha
São Paulo, quinta-feira, 26 de junho de 2008
Ruth Cardoso
O TRATAMENTO de "primeira-dama", como se sabe, desagradava a Ruth Cardoso. Durante os oito anos do governo Fernando Henrique, os meios de comunicação consolidaram, desse modo, a praxe de utilizar apenas o corriqueiro "dona Ruth" para referir-se a ela. Depois de seu súbito falecimento, nesta terça-feira, talvez não seja impróprio, entretanto, recuperar a qualificação que sua simplicidade pessoal, e sua ojeriza pelo oficialismo de Brasília, faziam questão de rejeitar.
Ruth Cardoso foi de fato, num sentido muito próprio do termo, a "primeira-dama" do Brasil. Numa época tão propensa à vulgaridade midiática e ao desrespeito com a opinião pública, ela deixa um exemplo raro de elegância sem afetação, de naturalidade sem demagogia, e de firmeza sem arrogância.
Em diversos países do mundo, as mais admiradas "primeiras-damas", para usar a palavra em seu sentido convencional, procuraram apenas adequar-se a uma atitude de discrição. Uma escolha desse tipo não seria concebível para alguém com a trajetória intelectual e política de Ruth Cardoso.
Ao contrário, foi marcante seu papel durante o governo FHC. A criação da Comunidade Solidária -base dos programas de inclusão social em vigor atualmente- foi um dos feitos administrativos mais fecundos daquele período.
Ruth Cardoso "foi, talvez, o único consenso do partido", disse o peessedebista Tasso Jereissati ao saber de seu falecimento. A frase, a que não falta uma saudável dose de autocrítica, mereceria ser expandida: o valor de sua pessoa, o reconhecimento por sua atuação, e a tristeza por seu falecimento, são hoje um consenso no país inteiro.
URL: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz2606200802.htm
quarta-feira, 25 de junho de 2008
Ruth Cardoso
O Brasil está menor hoje...
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| Sérgio Lima/Folha Imagem |
terça-feira, 24 de junho de 2008
PCC (Pombo-Correio do Crime)
Mulher tentou sair de penitenciária no interior de SP com duas aves escondidas. Animais estavam com sacos nas penas para transportar pequenos objetos.
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Carro-contínuo
Segunda-feira, 19 de maio de 2008, 9:18
Lentidão em SP será contínua em 2013, indica pesquisa
AE - Agencia EstadoSÃO PAULO - Em cinco anos, os picos de congestionamento da capital paulista devem acabar. Pesquisa realizada pela Fundação Dom Cabral de Minas Gerais, entre 2004 e 2007, mostra que os períodos de lentidão da manhã e do horário do almoço têm se prolongado, em média, 15% ao ano. Assim, em 2013 os picos devem estar bem próximos, formando um congestionamento contínuo.
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segunda-feira, 23 de junho de 2008
Transporte sustentável
Só faltou integrar o táxi à equação, mas as propostas abaixo já estão boas o suficiente.
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São Paulo, segunda-feira, 23 de junho de 2008
Brasileiro vai à China para resolver caos no trânsito
Paulo Custodio dirige programa para transporte sustentável em grandes cidades chinesas e vê problemas nos corredores de ônibus de SP
RAUL JUSTE LORES
DE PEQUIM
Tanto a escala como o propósito são inglórios. Os chineses começaram a comprar carros particulares em grande escala apenas na última década, depois de vários anos de miséria e bicicletas gastas. Vivem o sonho do carro próprio.
O paulista Paulo Sergio Custodio, 60, dirige o programa "Transporte Sustentável na China", patrocinado pela fundação americana Hewlett. A pedido do governo chinês, ele coordena a implementação de corredores de ônibus em cinco grandes cidades chinesas, de Ji'an (3 milhões de habitantes) a Chengdu (12 milhões).
Chefiando uma equipe de vários chineses e outros seis brasileiros, ele dá consultoria ao planejamento de transporte à prefeitura de Pequim.
Nesta semana, o governo de Pequim anunciou que vai cortar pela metade a circulação de carros particulares na cidade entre os dias 20 de julho e 20 de setembro. O rodízio será pelo algarismo final. Pares circulam em um dia, ímpares em outro.
Engenheiro pela Poli/USP, Custodio participou da implantação do elogiado sistema de transporte público Transmilenio, de Bogotá, e coordenou projetos patrocinados pelo Banco Mundial na Cidade do México, Jacarta e Nova Délhi.
"Só São Paulo consegue ter uma política de transportes pior que essas cidades", diz ele, que trabalhou no Metrô e no IPT, e que desde 1992 mora mais tempo fora que no Brasil.
Na entrevista que concedeu em Pequim, onde mora, defende os corredores de ônibus, critica o metrô e compara o que é feito no Brasil e na China.
DESEJO E PROGRESSO
O carro é um enorme objeto de desejo na China. É um símbolo de status, logo, muito difícil de convencê-los de abdicar dele. Eles argumentam que os países desenvolvidos ferraram o ambiente e agora querem impedir os chineses de realizar o sonho de ter carro.
As autoridades chinesas ainda se referem ao aumento de carros como sinônimo de progresso, parece o Brasil dos anos 1970, quando bairros inteiros foram destruídos para se alargar avenidas, fazer vias expressas, túneis e elevados. Em cidades desenvolvidas, como Londres, Nova York, Barcelona ou Paris, progresso é ter menos carros na rua.
Mas parte do governo chinês já viu que trânsito é um problema e os corredores de ônibus começam a ser estimulados.
METRÔ
A nova linha 4 do metrô de São Paulo só vai ter 400 mil passageiros "novos" por dia. Os demais 500 mil são gente que já usa o metrô. São feitas 30 milhões de viagens diárias em São Paulo. Ou seja, o metrô custa uma fortuna para levar um grupo minúsculo. Mas veja o poder das empresas e a fortuna que move o metrô, veja a Alstom, então fica difícil competir com os corredores de ônibus.
CLASSE MÉDIA
A elite brasileira adora dizer que só dá para deixar o carro na garagem quando o transporte público for melhor. Isso é bobagem. Só vamos ter um melhor transporte público quando a classe média voltar a usar o transporte público. Só assim terá pressão política para melhorar com mais rapidez. Tem que começar por algum lugar, então acho que é dificultando o uso do carro. Enquanto transporte público for para pobre no Brasil, ninguém melhora.
ÔNIBUS CARO
Passagem de ônibus em São Paulo tem preço de Estados Unidos e serviço de África. Os ônibus são carroças, chacoalham sem parar, calorentos, feios e os corredores são piores ainda. E quem anda de ônibus é pobre, então ninguém quer corredor perto de casa, é como a cultura brasileira funciona.
REBOUÇAS
O corredor da Rebouças é tão ruim que serviu como uma antipropaganda contra os corredores em São Paulo. Um ônibus leva mais de dez minutos no corredor apenas para cruzar a Faria Lima. Enquanto uns poucos ônibus estão no ponto, os outros fazem uma fila enorme. 160 ônibus passam por ali, quando aquele corredor não agüenta mais de 30.
Em São Paulo, o passageiro tem que descer na calçada, pisar na rua, subir a escada do ônibus, fazer fila para passar pela catraca, esperar o troco. Tudo é muito lento. E a fila de ônibus aumenta. Um passageiro leva 0,3 segundo para entrar em um ônibus nos corredores de Bogotá. Em São Paulo, leva 1,8 segundo.
ULTRAPASSAGEM
Os pontos deveriam ser muito mais compridos para que vários ônibus pudessem parar para o embarque/desembarque por vez. E a faixa deveria ser mais larga para permitir a ultrapassagem. Se um ônibus já completou o movimento de passageiros, por que fica esperando? O bilhete precisa ser cobrado no ponto, fora do ônibus, ou eletrônico. Mesmo ruim como é esse corredor, 18 mil passageiros por hora passam ali de ônibus, enquanto são 3.000 por hora de carro. Quem ocupa mais espaço?
MINHOCÕES CHINESES
A China constrói vias elevadas sem parar. O governo central banca 50% da obra. Como a medida de desempenho dos prefeitos aqui é o crescimento do PIB, eles acabam embarcando nessas obras megalomaníacas para aumentar a economia da cidade.
Não há capacidade viária em São Paulo. Veja Pequim. Eles construíram vias expressas e viadutos na cidade inteira. Os chineses estão com muito dinheiro, nem precisam desapropriar porque os terrenos são do governo e as indenizações são irrisórias. E ainda assim, com via larga para todos os lados, a cidade vive congestionada. Em São Paulo, nem dá para fazer o mesmo.
PEDÁGIO
Pedágio urbano é promoção da igualdade social. O uso de automóvel é subsidiado no Brasil, o governo gasta muito mais com quem tem carro do que com o transporte público. A gasolina deveria ser mais cara. O automóvel precisa pagar o alto custo que provoca à sociedade.
VELOCIDADE MÍNIMA
São Paulo precisa reduzir hoje 25% dos carros nas ruas para ter uma velocidade mínima. Além de pedágio urbano, sou a favor de se restringir o estacionamento, usando a faixa de carros estacionados para a criação de ciclovias. A viagem média de um motorista em São Paulo é de 9 km. Um percurso de cinco quilômetros em São Paulo de bicicleta pode ser feito facilmente em 20 minutos, enquanto dependendo da hora, de carro leva o dobro disso.
TRÊS HORAS NO CARRO
Xangai já tem um trânsito impossível. Levei três horas de carro ao sair do aeroporto para uma viagem que eu fazia em uma hora. Eles já sentem que precisam reduzir o uso do carro. Em agosto, um congresso em Shenzhen vai discutir o pedágio urbano. Não duvido que eles tomem atitudes muito mais rapidamente que no Brasil.
PONTOS "HABITÁVEIS"
Trabalho para Pequim e outras cidades chinesas o conceito de habitabilidade. E de desenvolver as cidades facilitando o uso do transporte público. As áreas no entorno das estações de metrô ou nos grandes terminais de ônibus devem ser agradáveis e seguras. Em dois quilômetros ao redor, deve haver boa iluminação, ruas arborizadas, calçadas largas, espaço para bicicletas, fomentar a existência de bares, restaurantes, academias de ginástica, mercadinhos por perto para ter gente por perto dia e noite.
URL: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff2306200822.htm